Grêmio

30 Anos do Mundial: Mário Sérgio força saída para ser campeão mundial

Ex-meia brigou com técnico Cilinho para ser contratado pelo Grêmio

Mário Sérgio forçou saída da Ponte para entrar na história do Grêmio
Mário Sérgio forçou saída da Ponte para entrar na história do Grêmio Foto : José Doval / CP Memória
Considerado uma das peças fundamentais para a conquista do Mundial de Clubes pelo Grêmio em 1983, o ex-meia Mário Sérgio travou uma guerra particular antes de vestir camiseta tricolor em Tóquio, no Japão. Contratado por uma solicitação expressa do então técnico Valdir Espinosa, ele só chegou ao estádio Olímpico depois que provocou uma briga com o treinador da Ponte Preta, Otacílio Pires, o Cilinho. Em entrevista ao Correio do Povo, Mário admitiu que forçou a sua saída para realizar o desejo de retornar ao Rio Grande do Sul e ser campeão do Mundo.

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"Quando surgiu a possibilidade de sair da Ponte Preta para chegar ao Grêmio, eu fiquei com aquilo na minha cabeça. Foi realmente uma guerra para sair de Campinas naquela época. O Cilinho sabia da minha vontade e eu sabia que ele era muito temperamental. Ele costumava me colocar para jogar em cima da linha lateral e eu não gostava daquilo. Ele percebeu e veio me cobrar. Ali eu vi que era a minha chance. Decidi provocá-lo e ele veio para cima de mim. A minha situação ficou insustentável e me transferi para o Grêmio", explicou.

Apesar de ter acertado em cheio ao se transferir para o Olímpico, Mário Sérgio admitiu que depois do Mundial procurou Cilinho para pedir desculpas. "Eu provoquei uma situação e ele fez aquilo que eu queria. Eu me desculpei, mas naquele momento pensei na perspectiva de voltar ao Rio Grande do Sul, onde tenho muitos amigos", relatou o ex-jogador, que já havia atuado pelo Inter.

A proposta do Grêmio também foi uma espécie de salvação para Mário Sérgio, que aos 33 anos pensava na aposentadoria. Ele não contava com o efeito que Espinosa iria causar na direção gremista ao dizer que seria campeão mundial se o meia fosse contratado. "O Espinosa teve muita convicção ao falar aquilo. Ele me conhecia do Vitória e sabia do meu potencial. Ele entendia que eu era uma liderança e dentro do Grêmio acabei me tornando um assessor do Hugo De Leon", revelou. "Após a conquista, joguei mais sete anos. Passei pelo Palmeiras e depois fui para Suíça", acrescentou.


Seis quilos mais magro


Mário Sérgio lembra que toda a preparação do Grêmio para a decisão contra o Hamburgo foi baseada no vídeo que os jogadores assistiram durante a pré-temporada em Gramado. "Eles passaram por cima da Juventus e nós esperávamos uma partida duríssima. Nós treinamos muito no período de preparação, eu perdi seis quilos. Os dez dias no Japão foram o tempo para aperfeiçoar o time", relatou.

Segundo o ex-meia gremista, o Grêmio acabou encontrando facilidades no duelo com os alemães. Marcação centralizada em Paulo César Caju facilitou o trabalho de Mário Sérgio e Renato Portaluppi. "Eles me deixaram solto para armar as jogadas. Atuamos com muita maturidade. Formamos um time com juventude e experiência. Os gols do Renato foram importantes, mas também vencemos pela nossa postura tática", analisou.

Reencontro com os alemães nas ruas de Tóquio

Conforme Mário Sérgio, o título Mundial, conquistado com a vitória de 2 a 1, mudou a atitude dos jogadores do Hamburgo, que dias antes ignoraram os gremistas no hotel em que as delegações estavam hospedadas. "Essa indiferença deles nos motivou muito para o jogo. Ganhamos a decisão e depois fomos a um bar de Tóquio para tomar uma cerveja. Lembro que De Leon e eu estávamos ali quando três ou quatro atletas do Hamburgo decidiram sentar ao nosso lado para conversar. Eles admitiram que nos subestimaram. Para nós, aquilo já não fazia muita diferença. A taça já era nossa", concluiu.

Ouça a narração de Armindo Antônio Ranzolin pela Guaíba:




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