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"Quando surgiu a possibilidade de sair da Ponte Preta para chegar ao Grêmio, eu fiquei com aquilo na minha cabeça. Foi realmente uma guerra para sair de Campinas naquela época. O Cilinho sabia da minha vontade e eu sabia que ele era muito temperamental. Ele costumava me colocar para jogar em cima da linha lateral e eu não gostava daquilo. Ele percebeu e veio me cobrar. Ali eu vi que era a minha chance. Decidi provocá-lo e ele veio para cima de mim. A minha situação ficou insustentável e me transferi para o Grêmio", explicou.
Apesar de ter acertado em cheio ao se transferir para o Olímpico, Mário Sérgio admitiu que depois do Mundial procurou Cilinho para pedir desculpas. "Eu provoquei uma situação e ele fez aquilo que eu queria. Eu me desculpei, mas naquele momento pensei na perspectiva de voltar ao Rio Grande do Sul, onde tenho muitos amigos", relatou o ex-jogador, que já havia atuado pelo Inter.
A proposta do Grêmio também foi uma espécie de salvação para Mário Sérgio, que aos 33 anos pensava na aposentadoria. Ele não contava com o efeito que Espinosa iria causar na direção gremista ao dizer que seria campeão mundial se o meia fosse contratado. "O Espinosa teve muita convicção ao falar aquilo. Ele me conhecia do Vitória e sabia do meu potencial. Ele entendia que eu era uma liderança e dentro do Grêmio acabei me tornando um assessor do Hugo De Leon", revelou. "Após a conquista, joguei mais sete anos. Passei pelo Palmeiras e depois fui para Suíça", acrescentou.
Seis quilos mais magro
Mário Sérgio lembra que toda a preparação do Grêmio para a decisão contra o Hamburgo foi baseada no vídeo que os jogadores assistiram durante a pré-temporada em Gramado. "Eles passaram por cima da Juventus e nós esperávamos uma partida duríssima. Nós treinamos muito no período de preparação, eu perdi seis quilos. Os dez dias no Japão foram o tempo para aperfeiçoar o time", relatou.
Segundo o ex-meia gremista, o Grêmio acabou encontrando facilidades no duelo com os alemães. Marcação centralizada em Paulo César Caju facilitou o trabalho de Mário Sérgio e Renato Portaluppi. "Eles me deixaram solto para armar as jogadas. Atuamos com muita maturidade. Formamos um time com juventude e experiência. Os gols do Renato foram importantes, mas também vencemos pela nossa postura tática", analisou.
Reencontro com os alemães nas ruas de Tóquio
Conforme Mário Sérgio, o título Mundial, conquistado com a vitória de 2 a 1, mudou a atitude dos jogadores do Hamburgo, que dias antes ignoraram os gremistas no hotel em que as delegações estavam hospedadas. "Essa indiferença deles nos motivou muito para o jogo. Ganhamos a decisão e depois fomos a um bar de Tóquio para tomar uma cerveja. Lembro que De Leon e eu estávamos ali quando três ou quatro atletas do Hamburgo decidiram sentar ao nosso lado para conversar. Eles admitiram que nos subestimaram. Para nós, aquilo já não fazia muita diferença. A taça já era nossa", concluiu.
Ouça a narração de Armindo Antônio Ranzolin pela Guaíba: