Cozinhar é um gesto nobre!
Olá amigos e cozinheiros de plantão! Um momento de verdade: cozinhar é um gesto generoso, um momento único, porque você nem sempre cozinha para você. Você cozinha para o outro. Eu considero isso um gesto muito nobre e faço da minha profissão um estilo de vida.
Às vezes, eu cozinho não o que quero comer naquele dia, mas o que quero comer no dia seguinte. Isso pode ser a melhor maneira de preparar um cardápio para fazer em um final de semana, para convidar os seus amigos, para surpreender a quem você gosta e comemorar sem precisar ficar na volta do fogão o tempo inteiro.
Além disso, todos os tipos de sopas, ensopados e assados ficam melhores depois que eles tiveram um momento para desenvolver os sabores na geladeira. Eles ficam na sua melhor versão. O resultado disso vai te surpreender e seus convidados vão lhe agradecer por uma experiência gastronômica sem igual.
Então, o que temos para o dia de hoje é realmente algo muito especial. Vamos trabalhar em uma versão da receita de um dos pratos mais queridinhos da região Sudeste.
Estamos falando da: rabada.
Usar o rabo bovino como proteína em sopas é uma tradição em diversos países do mundo. Na Inglaterra, começou a ser preparada por imigrantes franceses e caiu no gosto da população londrina. Na China, é um prato mais denso, entre uma sopa e um ensopado, recebendo ingredientes em pedaços maiores, como batatas, cenouras e cogumelos. Na Indonésia, recebe temperos típicos da região, como cravo e noz-moscada. Na Coreia, leva alho cru, pimenta, cebolinha e outros temperos regionais. A base é a mesma, mas os sabores são internacionais.
A versão que se tornou popular no Brasil como “rabada” tem origem portuguesa. Lá, é preparada com caldo elaborado com toucinho, cenoura, presunto e vinho. Passa algumas horas em fogo baixo, concentrando todos os seus sabores.
Os portugueses, quando vieram para cá, trouxeram não apenas a receita, mas o cultivo de gado para a colônia. À medida que esses ricos produtores foram se estabelecendo aqui, nas fazendas do interior, o prato foi se popularizando no sertão até se tornar um símbolo da comida sertaneja.
Pode ser feito de várias maneiras, com temperos mais frescos, como cheiro-verde, ou com um caldo à base de vinho, que remete às origens portuguesas.
️🍽️Ingredientes para seis pessoas
📍2kg de rabo de gado, picado e sem gordura
🧅6 cebolas grandes cortadas em quatro partes
🧄6 dentes de alho cortados ao meio e sem o miolo
🍅2 tomates maduros
🫑1 pimentão grande cortado em tiras
🫙2 folhas de louro
🥄1⁄2 colher (sopa) de colorau (urucum)
🌿Cheiro-verde picado
🧂Sal a gosto
🍶Vinagre
📝Modo de fazer
Primeiramente, lave bem a carne. Retire o excesso de gordura.
🍴Agora vem o pulo do gato:
📍Cozinhe a carne por 15 minutos em água com vinagre para ficar mais leve e saborosa e, principalmente, para depois de saborear não ficar com uma gordura na boca.
📍Em uma panela de pressão, aos poucos, sele bem a carne, em todos os lados. Não fique mexendo a carne o tempo todo. Resista a esta tentação. Você consegue.
E depois, reserve isso.
📍Coloque as cebolas no fundo da panela de pressão com um fio de azeite de oliva.
📍Acrescente o restante dos ingredientes e a carne por cima.
📍Cozinhe por 40 minutos, após a panela apitar, em fogo médio.
E está pronto. Simples assim.
📍Neste ponto, pode servir, ou melhor ainda, como já falamos, leva à geladeira para os sabores se desenvolverem e sirva no dia seguinte.
Montagem
🍽️Sirva em um prato bem bonito, do tipo bem rústico.
👩🏼🍳Segundo pulo do gato: Se for reaquecer, faça isso em fogo médio, nunca deixe passar de 70 graus para não destruir as camadas de sabores que se formaram.
🥣Pode ser acompanhado de uma polenta mole (todo mundo tem uma receita de gaveta com polenta mole, acompanhado de cheiro-verde e agrião fresco que serve também como decoração do prato.
Bom proveito e vida saudável.
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