Mesmo um ano e meio após o leilão que definiu o Consórcio Pulsa RS como responsável pela revitalização do Cais Mauá, em Porto Alegre, o futuro da área segue indefinido. O contrato de concessão, previsto para 30 anos e com investimentos anunciados de R$ 353,3 milhões, ainda não foi assinado.
Questionada pelo Correio do Povo, a Secretaria da Reconstrução Gaúcha informou que não há prazo definido para a formalização e que não irá se manifestar sobre o andamento do processo. A pasta, porém, destacou que não há qualquer previsão para retirada do muro da Mauá.
A estrutura de concreto, com três metros de altura e 2,6 quilômetros de extensão, foi erguida nos anos 1970 como parte do sistema de contenção contra enchentes. Segundo a secretaria, mesmo com a implantação de novos sistemas de proteção previstos na concessão — barreiras fixas e removíveis a serem instaladas antes dos armazéns —, uma eventual remoção do muro dependeria de análises técnicas e do aval de órgãos competentes.
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O leilão, realizado em 6 de fevereiro de 2024, na B3, em São Paulo, contou com a presença do governador Eduardo Leite e teve apenas uma proposta apresentada. O Pulsa RS garantiu o direito de explorar economicamente o espaço por três décadas, assumindo a responsabilidade pelas obras de modernização. A proposta venceu em meio a um contexto de expectativa pela retomada da área, há décadas alvo de debates e tentativas frustradas de concessão.
Poucos meses depois, no entanto, a enchente histórica de maio de 2024 alterou os rumos do processo. Com o Estado em calamidade pública, os prazos do edital foram suspensos, o que travou a assinatura do contrato. A então Secretaria de Parcerias e Concessões foi transformada em Secretaria da Reconstrução Gaúcha, por conta da prioridade dada à recuperação das áreas atingidas pelas cheias.
Enquanto o impasse persiste, o espaço do Cais Mauá continua sendo utilizado para eventos de grande porte, como o South Summit Brazil, realizado em abril deste ano e com nova edição já confirmada para 2026.
A discussão sobre o futuro do muro também foi um dos temas da visita de técnicos holandeses a Porto Alegre, realizada logo após as enchentes. Eles sugeriram a adoção de um sistema semelhante ao utilizado na Europa e na Ásia, que combina barreiras móveis e o uso de sacos de areia para reforço em situações de emergência. Apesar disso, a proposta não avançou oficialmente.