O papel das comunidades nas ações de proteção e a articulação conjunta entre órgãos governamentais e lideranças, principalmente nas áreas mais vulneráveis e suscetíveis a riscos, ajudam a fortalecer os terrítórios a desastres. O assunto foi discutido no seminário “Gestão comunitária de riscos e desastres", promovido pela organização da sociedade civil Fundação Gerações, com apoio da Defesa Civil do RS, que ocorreu nesta terça-feira no auditório do CIEE. O encontro reuniu especialistas, representantes de órgãos públicos e lideranças comunitárias, e os painéis contaram com representantes de defesas civis estaduais, municipais e do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O evento buscou incentivar a mobilização dos interesses dos territórios, aproximando especialmente lideranças comunitárias e associações de bairro, que conhecem o espaço, para aproximarem-se dos órgãos da Defesa Civil e dar as estruturas das políticas públicas voltadas à gestão de riscos e desastres, afirma a diretora-executiva da Fundação Geração, Karine Ruy. "O nosso olhar é para buscar tentar entender qual é a responsabilidade e o papel que as comunidades podem ter nessa percepção de risco, nessa articulação de estratégias de proteção coletiva, mas não de forma individualizada, de forma estratégica combinada e articulada com os órgãos responsáveis", disse.
Ruy lembra que os Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs), espaços de sistematização e articulação de estratégias nos territórios frente a vulnerabilidades, atuam de forma conjunta com a defesa civil, ainda precisam ser mais desenvolvidos nos municípios. Para avançar nessa proteção aos mais vulneráveis, ela pontua que as comunidades, entendendo que viver no risco não é o adequado, precisam encontrar, juntas, caminhos para pressionar e de articular com os atores responsáveis pela vida das pessoas nas comunidades.
"A gente não dá conta só com a articulação, obviamente, mas as pessoas, de forma organizada, conhecendo as vulnerabilidades, os atores responsáveis e tendo essa capacidade de incidir politicamente pela mudança, pela reforma, pela reestruturação, o que é que seja o risco envolvido, é um passo fundamental", conclui Ruy.
"A gente usa aquele jargão da que a Defesa Civil somos todos nós, porque, de fato, a Defesa Civil não consegue agir sozinha. É necessário a participação da comunidade, a formação de núcleos voluntários de Proteção e Defesa Civil", afirma Loiane Souza, coordenadora-geral de Apoio à Mitigação do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional da Defesa Civil nacional. Ela pontua que um núcleo comunitário trabalha antes, durante e depois da ocorrência do desastre de maneira voluntária nas comunidades, já que, com conhecimento em proteção e defesa civil, saberão como agir. "É muito importante para fazer uma defesa civil completa", continua.
Ela lembrou que o novo Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil, com metas para 2027, 2031 e 2035, têm foco na população mais vulnerável e nas comunidades tradicionais. Ainda, há metas de incentivo à criação de novos NUPDECs no Brasil, responsabilidade dos municípios, e a criação de cadastros nacionais do voluntariado.
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Educação ambiental
A pesquisadora Rejane Lucena, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), foi uma das debatedoras do painel “O que é gestão de riscos e desastres”. Em sua fala, ressaltou a importância de trabalhar a educação ambiental, a justiça climática e a regeneração entre as comunidades. “É impossível que a gente volte ao nosso lugar de origem, mas que a gente aprenda a viver e se adaptar a esse novo cenário e pensar como vamos agir para estar mais adaptados e resistentes. Não no sentido de rejeitar, mas de resistir e construir nossa resiliência aos riscos que estão nos nossos territórios e aos possíveis desastres que possam acontecer”, diz. Também pontuou algumas ações do Cemaden, como programas de educação voltados à mobilização sobre riscos, campanhas com temas chaves sobre alerta e jornadas pedagógicas.
Seminário “Gestão comunitária de riscos e desastres"