A maioria dos participantes da audiência pública coordenada pelo governo do Estado que apresentou o projeto de concessão das rodovias estaduais que formam o Bloco 1, na manhã desta terça-feira, em Gravataí, se manifestou contrária ao projeto e fez críticas ao modelo apresentado.
O governo defende que o projeto de qualificação e manutenção da infraestrutura das estradas só é possível unindo a capacidade financeira do poder público com parcerias público-privadas. O objetivo do encontro foi explicar a proposta para a população e ouvir as demandas das entidades empresariais, lideranças comunitárias e da sociedade civil.
Com investimento de R$ 6,41 bilhões ao longo dos 30 anos da concessão, a ideia apresentada pelo secretário estadual da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, é que já nos primeiros dez anos, os recursos aportados em ao menos oito rodovias sejam de R$ 4,86 bilhões. O governo deverá investir R$ 1,5 bilhão via Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), em decorrência de estradas e pontes que foram afetadas pelas enchentes. Capeluppi disse que a audiência pública é um momento importante para que através de sugestões e contribuições, o governo possa fazer ajustes de localização de passarelas, de pórticos de cobrança e também de rotatórias.
"O nosso objetivo aqui é ter investimento e proporcionar uma qualificação maior dessas rodovias que são muito importantes para o desenvolvimento econômico, para o deslocamento de todos na região metropolitana e na região das hortênsias." Segundo ele, só 2% da nossa malha viária do RS é duplicada. "O que estamos fazendo aqui é buscar alternativas para acelerar esse processo. Nós podemos fazer isso com investimento direto, por órgãos do Estado, ou se pode fazer parcerias com a iniciativa privada. Hoje, nossa intenção."
Capeluppi falou de custos operacionais, segurança viária, risco de acidentes, custo logístico, consumo de combustível e o valor de repasse para os produtos que são consumidos diariamente. Entre as vantagens destacadas, deu ênfase para agilidade, maior qualidade e velocidade. "A gente sabe que tempo salva vidas, tempo é dinheiro e tempo gera uma capacidade econômica maior para todas as regiões."
O prefeito Gravataí, Luiz Zaffalon, se manifestou favorável ao projeto de concessões do governo estadual. "Concessões é um tema natural que a sociedade convive todos os dias. As concessões ocorrem diariamente. Concessões de aeroportos, concessões de serviços públicos, concessões de espaços públicos, concessões de rodovia, é uma coisa comum na vida de todo mundo. Todos os governos fazem", disse ele, lembrando que Gravataí conviveu com um pedágio na porta de entrada do município por mais de 30 anos.
"Hoje Gravataí é uma das cidades que mais cresce no Rio Grande do Sul em função de infraestrutura instalada e precisamos cada vez mais de infraestrutura para que a cidade continue expandindo. Milhares de veículos circulam diariamente pelas ERS 020 e ERS 030, estradas que cortam o município. Precisamos desses investimentos para que se cresça. O investimento em pedágio é um investimento interessante. Eu, sou por ideologia, plenamente favorável às concessões e às privatizações. Eu acredito na iniciativa privada."
Entretanto, os demais, fizeram severas críticas, especialmente no que diz respeito às tarifas e ao número de pedágios que deverão ser implantados. Entre vereadores de cidades vizinhas e lideranças da comunidade, contrários ao pacote, o deputado estadual Miguel Rossetto (PT) falou sobre a importância de propor a mesma discussão dentro da Assembleia Legislativa.
"O chamado projeto do Bloco 1 é um projeto muito ruim Ele é um projeto caro, desequilibrado e que, na nossa opinião, não vai estimular o desenvolvimento regional. Pedágios caros entre municípios são verdadeiros muros que desintegram a região. Nós precisamos de integração. Nós precisamos de mais e mais investimentos para desenvolver as regiões e não para aumentar o custo das nossas regiões de uma forma absolutamente desequilibrada." Rossetto enfatizou que o governo deve apresentar, para a avaliação da sociedade, várias alternativas de investimento. E não um pacote fechado.
SOBRE O BLOCO 1
Composto por 454 quilômetros de extensão, o Bloco 1 conta com trechos das estradas ERS 020, ERS 040, ERS 115, ERS 118, ERS 235, ERS 239, ERS 466 e ERS 474. Uma nova rodovia, a ERS 010, também está incluída. Com pista dupla, dois sentidos de circulação e 41,4 quilômetros de extensão, a estrada tem seu traçado previsto a partir da BR-290, em Porto Alegre, até a ERS-239, em Sapiranga, constituindo-se como alternativa à BR-116. Somente no bloco 1 Estão previstos 213,7 quilômetros de duplicações, 12,5 quilômetros de terceiras faixas e 21,7 quilômetros de faixas adicionais. Além disso, serão 363,4 quilômetros de acostamentos, 88,48 quilômetros de marginais e 31 passarelas para pedestres. A publicação do edital deve ser realizada em março de 2026 e a assinatura do contrato em dezembro do ano que vem.
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