Com a dragagem em andamento nos canais de navegação do Guaíba e Lagoa dos Patos, o turismo náutico de Porto Alegre está preocupado com a falta de olhar do poder público para as áreas costeiras, que estão assoreando, na visão dos barqueiros, sem que haja uma solução à vista. Assim como no caso destes canais, o problema foi agravado após as enchentes de 2024. Em reunião realizada no mês passado, Alexandre Hartmann, representante da categoria e proprietário da embarcação turística BarCoTur, baseada no canal do Gasômetro, pediu que a Portos RS dragasse a área, algo que a empresa pública estadual disse que não pode fazer, mas prometeu buscar uma solução, inclusive se dispondo a fazê-lo, caso haja acordo para isto, como já realizado no canal que liga Porto Alegre a Guaíba via catamarã.
Aos barqueiros, somou-se a secretária Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Eventos (SMDETE), Fernanda Barth, defensora da dragagem. No último dia 21 de outubro, ela enviou um ofício destinado ao presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, e ao diretor de Relações Institucionais da empresa, Sandro Boka, pedindo "providências com urgência" para a dragagem no atracadouro do Cais do Gasômetro, mas o documento, até a última terça-feira, havia chegado apenas ao diretor da Portos RS. "Se o Estado, que é o responsável pelo licenciamento, apenas licenciasse, ou autorizasse a obra, daríamos um jeito de dragar ali", disse Hartmann.
Ele citou o caso do Clube Jangadeiros, que tem uma pequena draga e teria obtido licença para operá-la a partir de uma parceria com empresas que já estão dragando na área, mas isto não é a regra para outros clubes, disse Hartmann. "Se os clubes de pequeno porte forem licenciados, resolveria muitos problemas", salientou. A questão de fundo é a chegada do verão e a possibilidade de redução no nível do Guaíba, o que aumenta o risco de que os barcos, mesmo com calado pequeno, não possam operar.
"Os operadores podem ter de considerar não contar mais com este porto no verão e partir para outro lugar. O que acontece agora está prejudicando a entrada e saída do barco, sem margem de desvio", afirmou Hartmann. já há dificuldades agora; recentemente, o BarCoTur precisou modificar seu ponto de embarque para o Cais Embarcadero. O cais do Gasômetro foi uma importante base de socorro durante as inundações do ano passado, com resgate de pessoas e animais, presença do Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS), entre outros órgãos.
Nova reunião agendada
Procurado, Klinger disse que a zona está fora da área de atuação da Portos RS. "Não podemos realizar nenhuma atividade que esteja além desses limites. O licenciamento ambiental é de competência da Fepam, que poderia conceder licença àqueles que têm direito ou autorização para explorar a área. Nosso foco é o canal de navegação com carga, que é o que efetivamente executaremos, ou seja, o canal que passa em direção a Porto Alegre", disse o presidente da estatal.
Embora a necessidade de autorização da Fepam, há a sugestão de que o processo, neste caso específico, possa também ser conduzido pela Prefeitura, via Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), disse ainda Hartmann. Já Sandro comentou que haverá uma nova reunião, no próximo dia 17, com o prefeito Sebastião Melo, os secretários Fernanda Barth, Cezar Schirmer (Planejamento e Gestão) e Germano Bremm (Smamus), a fim de obter uma solução definitiva para o impasse.
"Temos várias alternativas, precisamos sentar todos juntos e discutir estas ações para ver quem será responsável pelo quê. O próximo passo é juntarmos as partes, Portos RS e Prefeitura, para que possamos discutir estas demandas que nos foram repassadas pela Administração Municipal", comentou o diretor, se referindo ao ofício. A secretária Fernanda não foi localizada para comentar sobre o documento.