Está ocorrendo o primeiro de quatro cruzeiros que pretendem mapear a biodiversidade na Bacia Pelotas (plataforma continental e talude). O projeto, chamado de Biodiversidade Pelágica, é coordenado pelo professor do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Eduardo Secchi. Os cruzeiros têm duração de aproximadamente 120 dias e ocorrem durante os meses de outono e primavera – dois por estação.
"É um projeto é de caracterização da biodiversidade para atender os termos de referência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para o licenciamento de atividades de prospecção cismica", explicou. Em torno de 15 pesquisadores estão a bordo do navio. As equipes vão se revezando em média a cada 20 dias. "O navio para em Rio Grande ou Itajaí, onde for mais perto, para o reabastecimento de mantimentos e retoma a viagem", acrescentou.
Cada expedição tem 38 linhas nas áreas costeira e oceânica e em torno de 130 pontos de coleta. As expedições são custeadas pela empresa TGS. O professor salientou que nesta primeira expedição serão realizadas diferentes fases. "Cobrimos o mar profundo da parte Sul da Bacia de Pelotas, depois a parte Norte também mar profundo. Na sequência a região costeira do Norte e do Sul, ou seja subimos do Chuí ao Norte de Santa Catarina e depois descemos", assinalou.
A parte costeira é a chamada plataforma continental, que tem até 200 metros de profundidade. Já o mar profundo (talude continental) pode chegar a 4 mil metros de profundidade. "Analisamos a caracterização oceanográfica, a temperatura, a salinidade e os nutrientes da água do mar para tentar explicar padrões da biodiversidade desde micro-organismos a grandes baleias", observou. A previsão é que o projeto dure três anos. Além das expedições, os dados devem ser analisados em laboratório.
"Além disso temos que contar com possíveis imprevistos. Pode ser que não consigamos executar todos os cruzeiros até o fim de 2027 e algo fique para 2028. O Ibama exige caracterização ambiental para investigar áreas mais sensíveis de biodiversidades para que os impactos de uma eventual exploração sejam os menores possíveis".