Cansados de esperar por medidas da prefeitura de Canoas, e temendo novas tragédias decorrentes das emergências climáticas, moradores dos bairros Fátima e Rio Branco se reuniram no início da semana para discutir ações de proteção contra enchentes. O encontro reuniu mais de 200 moradores e explanou alternativas para conter novas cheias e alagamentos em ambas as localidades.
No encontro, liderado pelo engenheiro Fábio Fanfa, foram apresentadas soluções de baixo custo para coibir o avanço das águas, a atual situação dos diques que circundam a cidade, bem como a proposição de medidas práticas, com orçamentos menos onerosos, que serão levadas como reivindicações junto ao Poder Público. Também foram mencionadas medidas de desobstrução da rede pluvial para conter pontos de alagamentos em dias de chuva forte no bairro Fátima.
Segundo Fanfa, os diques de Canoas foram projetados para comportar o nível de 6 metros de água, tendo como referência o Cais do Porto Mauá, em Porto Alegre. "Por isso que nossos diques têm entre 6,30m e 7m de altura. E se a água invadiu a cidade é porque houve problemas. Um deles é que um pedaço do dique da Cassol sumiu há mais de 20 anos; o segundo problema é que alguns diques sofreram rebaixamento na estrutura. Ou seja, não tem mais a altura que originalmente foi construída e o terceiro ponto foi o rompimento do dique." O engenheiro comenta que neste ano e no próximo a projeção é de seca e não há previsão de novas enchentes para a cidade.
"Por isso é neste período que precisamos reconstruir estes locais porque os diques estão fragilizados, eles podem romper mais facilmente. É necessário um trabalho de engenharia, que anteriormente foi negligenciado, para fortalecer estas estruturas, evitando episódios semelhantes ao de 2024."
A Comissão de Moradores do bairro Fátima, que iniciou o movimento em dezembro de 2024 com apenas sete pessoas, hoje conta com mais de 930 famílias. A grupo, que tem como uma das integrantes a advogada Claudia Burtet, foi criado para reivindicar junto aos órgãos do poder público medidas para deter a criminalidade no período das enchentes, já que muitas pessoas não retornaram para suas casas e outras se mudaram, deixando ruas inteiras desertas, o que favoreceu roubos e assaltos.
"A comissão se fortaleceu e através dele estamos reivindicando medidas eficazes da prefeitura que, há quase um ano da maior tragédia socioambiental, que destruiu casas e comércios no município, ainda não foram sanados. Temos sérios problemas na rede pluvial e precisamos de projetos efetivos em nossos diques. Nossa comissão está engajada no acompanhamento das obras de reparo e manutenção contra as cheias", disse a advogada que perdeu praticamente tudo que tinha na parte térreo da casa em maio do ano passado.
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