Moradores do bairro Guarujá, zona Sul de Porto Alegre, organizaram na manhã deste sábado, 28, um ato na praça Zeno Simon reivindicando soluções definitivas para os alagamentos na região. Na última quinta-feira, a prefeitura concluiu a instalação de um dique e bombas emergenciais para reduzir os impactos do alagamento no bairro, próximo à praça. Por conta da elevação do Guaíba, as ruas Oiampi e Jacipuia registraram grandes pontos de acúmulo de água. Apesar de ter recuado, ainda é possível ver pela presença de barro onde ela passou.
Ainda que os moradores reconheçam a resolução do problema com o dique e as bombas emergenciais, os moradores chamam a estrutura de “solução paliativa”. Exigem, portanto, medidas definitivas, como a instalação de casa de bombas, dique e sistema de macrodrenagem. Ainda, ação para solucionar o esgoto pluvial e cloacal na região. No protesto, cartazes com dizeres como “Feliz aniversário: mais um ano sem prefeito” e “exigimos providências contra alagamentos” foram levantados. A enfermeira Cristina Abbud, de 66 anos, moradora da Jacipuia, relata a situação com indignação.
“Depois que baixa a água, e demora muito para escoar, toda Porto Alegre tá seca e a gente ainda está inundado. Quando baixa a água, fica um lodo fétido. Existe comunicação com o esgoto pluvial e cloacal nesta rua, que fica esse lodo. É um fedor insuportável. De manhã, tu abre a janela em casa e vem todo esse fedor aqui”, diz.
Mobilização de moradores resultou na ação emergencial
Quando a água estava avançando para a rua próxima, a dos Guenoas, moradores se mobilizaram para cobrar alguma providência. Cristina disse que essa foi a primeira em anos. “Eu presencio enchente desde 2012. A única providência que foi tomada foi essa”, afirma. “É uma coisa paliativa. Tudo que tu for ver é improvisado”, complementa. Ela defende que, onde foram depositadas as areias, deveria haver uma comporta.
A instalação do Dmae começou com quatro bombas, aumentou para sete e, ainda neste sábado, devem vir mais três. Desde que a ação foi feita no local, a água baixou em seis horas. “Isso só comprova que existe uma solução e é simples, uma casa de bombas e uma comporta”, relata Cristina. “Precisa ampliar o esgoto pluvial, precisa corrigir o esgoto cloacal, precisamos de um dique na orla para que quando o rio transbordar, não venha para nós”, exige.
A aposentada Dilva Thoma, de 70 anos, também moradora da Jacipuia, relatou que faltou apenas 10 centímetros para a água entrar no seu pátio, que automaticamente entraria na sua casa. “Em qualquer chuva intensa, alaga. Já saí de casa umas cinco vezes. Não é só com enchente, é com qualquer chuva. Aí tenho que sair de madrugada e não tem pra onde ir”.
Na enchente, ela perdeu todo o primeiro piso da casa. “A minha casa, que fica na esquina com a Guenoas, a água foi a 1 metro e vinte, isso que ela é alta. Perdi todo meu primeiro andar”, relata. “Nossa rua é a primeira a alagar e a última a escoar, sempre assim”, complementa Cristina. Relatos são de que, em 2023, a rua ficou 40 dias alagada e outros dias depois com lodo.
Cristina relata que, recentemente, os moradores reuniram-se com o secretário-geral da prefeitura, André Coronel, e com engenheiros do Dmae, e foi constatado que o esgoto pluvial se comunica com o esgoto cloacal, depois de muitos anos negando. Porém, que agora, está faltando ação para resolver. “Falta ação, boa vontade e empenho do poder público de solucionar um problema dessa população que paga imposto, e é bem alto”, diz.
O que diz a prefeitura
A prefeitura de Porto Alegre, em nota, reforçou que o bairro Guarujá não possui, atualmente, sistema de proteção contra cheias e que, com a elevação do Guaíba, as vias mais próximas historicamente apresentam pontos de retenção de água, que são causados pela cota de inundação mais baixa da região.
O órgão diz que a solução definitiva para o problema passa pela concepção de um novo sistema de proteção contra cheias, que contempla os 50 quilômetros desprotegidos da orla do Guaíba, entre os bairros Cristal e Lami. Ainda, que os projetos do trabalho, que é conduzido desde outubro de 2024 pela empresa Rhama, do pesquisador Carlos Tucci, devem ser apresentados pelos especialistas à prefeitura apenas no primeiro semestre de 2026.
Confira a nota completa abaixo:
O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informa que o bairro Guarujá não possui, atualmente, sistema de proteção contra cheias. Por isso, em episódios de elevação do Guaíba, como o que está em andamento, as vias mais próximas ao lago historicamente apresentam pontos de retenção de água — causados pela geografia da região, que tem uma cota de inundação baixa. A esquina entre as ruas Oiampi e Jacipuia, por exemplo, tem 1,7 metro de cota em relação às águas do Guaíba.
O sistema de drenagem urbana da região, que funciona por gravidade, passou por uma série de melhorias ao longo dos últimos meses. O trabalho foi acompanhado pela comunidade, com reuniões periódicas. Os arroios do bairro também passaram por desassoreamento.
A solução definitiva para o problema passa pela concepção de um novo sistema de proteção contra cheias — contemplando os 50 quilômetros desprotegidos da orla do Guaíba, entre os bairros Cristal e Lami. O trabalho é conduzido, desde outubro de 2024, pela empresa Rhama, do pesquisador Carlos Tucci. O investimento é de R$ 5,8 milhões. Os projetos devem ser apresentados pelos especialistas à Prefeitura no primeiro semestre de 2026.
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