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MPF e CAU/RS questionam revisão do Plano Diretor de Porto Alegre às vésperas do envio de documentação à Câmara

Ação civil pública busca corrigir supostas irregularidades na criação das minutas, que devem ser enviadas na próxima semana ao Legislativo

Plano Diretor está sendo alvo de controvérsia em Porto Alegre
Plano Diretor está sendo alvo de controvérsia em Porto Alegre Foto : Pedro Piegas

O Ministério Público Federal (MPF) se manifestou, na última segunda-feira, favorável aos argumentos do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS), que ajuizou uma ação civil pública contra a Prefeitura de Porto Alegre, questionando o processo de revisão do Plano Diretor, cuja minuta deve ser enviada pelo Executivo até a segunda-feira da próxima semana, disse o prefeito Sebastião Melo no último domingo.

Tanto o MPF quanto o CAU/RS afirmam que houve “violação do princípio democrático” e “falta de participação social efetiva”, com um número insuficiente de audiências públicas realizadas, além de uma alegada falta de transparência. Segundo os órgãos, a ação não busca o controle de um projeto de lei, mas sim a correção de irregularidades no procedimento administrativo prévio de revisão do Plano Diretor.

O MPF disse ainda que, ao contrário do defendido pela Prefeitura, o CAU/RS é legítimo para esta a abertura desta ação. Entre os argumentos do Conselho, relatórios da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), “não apresentam a sistematização das contribuições recebidas da sociedade civil, tampouco contêm justificativas técnicas quanto à sua aceitação ou rejeição”, sendo “descritivos e parciais”.

O próprio Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (CMDUA), cujas atividades estão suspensas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), teria sido relegado a uma instância consultiva, e não deliberativa, ferindo o Plano Diretor de 1999 e o Estatuto da Cidade, observou o MPF. Teria havido ainda, conforme a ação, omissão da dimensão climática e prevenção de desastres, já que o Plano Setorial proposto como parte do Plano Diretor não contemplaria questões relativas ao zoneamento de risco, como mapeamento de áreas de risco, planejamento de ações preventivas e realocação de população destes locais.

Questionada, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) reforçou que o autor da ação “não tem legitimidade para a demanda proposta”. A PGM também disse pedir a extinção do processo, justificando jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) em ser inadequada ação civil pública para controle preventivo da proposta de revisão do Plano Diretor.

Leia a nota da Prefeitura

Sobre a ação ajuizada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo, a Procuradoria-Geral do Município pede a extinção do processo, tendo em vista a inadequação da ação civil pública para controle preventivo da proposta de revisão do Plano Diretor, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. A PGM sustenta, além disso, que o autor da ação não tem legitimidade para a demanda proposta.

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