Em Canoas, desde a segunda quinzena de julho, depois de ter sido sancionada como lei pelo prefeito Airton Souza, as mulheres têm garantido o direito de embarcar e desembarcar fora dos pontos de ônibus, entre 20h e 6h. A nova legislação, nestes casos, obriga os motoristas das linhas regulares do transporte coletivo dentro do município a realizar as paradas em locais indicados pelas passageiras conforme o trajeto da linha, dentro do itinerário.
A ideia foi proposta pela única vereadora da Câmara do Município, Neuza Rufatto. Segundo ela, a iniciativa surgiu a partir de demandas que chegaram em seu gabinete. "Acredito que seja um grande avanço na batalha e na luta contra a violência e o assédio contra as mulheres. Esta é uma alternativa de proteção para meninas, jovens e mulheres que se encontrem em situações ou lugares de vulnerabilidade. É uma medida para que se sintam seguras. Afinal, o desembarque for a do ponto é para que desçam mais próximo de casa."
Conforme Neuza, essa é uma medida simples, que não gera custos aos cofres públicos, mas que pode fazer diferença enorme na vida de muitas usuárias que dependem do transporte coletivo para trabalhar, estudar ou apenas voltar para casa em segurança. "A gente sabe que a violência contra a mulher não escolhe lugar nem horário. Essa é uma vitória coletiva."
EM GRAVATAÍ A MESMA MEDIDA PASSOU A VIGORAR EM MAIO
Em Gravataí esta é uma realidade que vigora no transporte coletivo entre 21 horas e 5 horas, desde maio deste ano, quando a vereadora Vitalina Gonçalves propôs entre os parlamentares que as mulheres tivessem o direito de escolher o local mais seguro para embarque e desembarque dentro do município. O projeto de lei aprovado por unanimidade e também sancionado sem vetos pelo prefeito Luiz Zaffalon.
"Fico muito feliz com a repercussão da proposta porque por muito tempo eu dei aula à noite e sentia em aguardar o ônibus. E eu sei como é ser mulher e o que é sentir medo. Nossos corpos estão sempre expostos. Não é apenas um assalto. É medo de um assalto e uma violência sexual, um assédio, um estupro." Vitalina se orgulha em perceber que a ideia está se propagando e que as mulheres estão buscando seus direitos por mais segurança e proteção. "Fico extremamente feliz que outros municípios estejam implantando a ideia. Tenho dialogado com a Metroplan par tentar que se estenda ainda mais", conclui a vereadora de Gravataí.
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