* Colaborou Letícia Pasuch
Está prevista para março a finalização das obras do Quadrilátero Central, no Centro Histórico de Porto Alegre, após muitas reviravoltas, controvérsias e aditamentos. Mas, até lá, a última etapa da revitalização, na rua dos Andradas, entre a General Câmara e o Largo dos Medeiros, gera transtornos para uma loja de roupas masculinas, cuja gerência relata queda de 50% nas vendas, e dúvidas a diversos outros comerciantes do entorno.
No caso do estabelecimento de vestuário, o gerente Everton Mendes disse que até há diálogo com os trabalhadores da obra e a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), porém o problema está parcialmente resolvido. Segundo ele, os funcionários somente eventualmente trabalham em horário comercial. “Tamparam quase todas nossas vitrines. É segunda-feira de manhã, e não há ninguém trabalhando”, salientou ele no começo desta semana.
“Janeiro já é um mês mais fraco de vendas, então esta obra faz reduzir mais ainda. A Prefeitura queria começar em dezembro, mas seria um estrago para as vendas de Natal. O proprietário falou com o Sindilojas-POA e a Smoi realmente acatou. Mesmo assim, a queda foi de cerca de 50%”, contou ele, salientando que a clientela fiel tem sustentado o negócio neste período de obras. Alguns diálogos diretos com os funcionários têm da mesma forma funcionado.
Obras do quadrilátero central na esquina das ruas General Câmara e Rua dos Andradas
O estabelecimento fez placas para avisar aos clientes de que a loja está aberta, e mesmo as placas instaladas pela Smoi na General Câmara informando da travessia pelo outro lado da rua confundem os pedestres, segundo Mendes. Quem segue pelo lado direito no sentido à Santa Casa termina diretamente na porta da loja. “É bastante comum alguma pessoa parar aqui, ficar surpreendida e precisar voltar, e ainda sai xingando tudo”, comentou o gerente.
Circulando pelo entorno, não é difícil encontrar também pedaços do piso se soltando após a conclusão de grande parte do Quadrilátero Central, com isso necessitando de reparos. Moradoras da rua Riachuelo, a advogada Viviane Oliveira e a aposentada Lia Schroeder reclamam do estado geral da obra. “Nem terminaram tudo, e já está bem estragado, o acabamento não foi finalizado”, comentou Viviane. “Acredito que está bem diferente do design que havia sido prometido inicialmente”, acrescentou Lia.
Obras de revitalização do Quadrilátero Central
Próximo dali, as vendedoras Giovana Belomo e Stephanie Koller relembram que as obras do Quadrilátero trouxeram impacto negativo ao comércio de eletrônicos. “Foi bastante demorado, porque buracos eram abertos a todo momento na frente da loja”, disse Giovana. “Havia cavaletes aqui e era coberto tudo em volta com grades. Impactou principalmente a questão da poeira”, relembrou Stephanie.
Iniciadas em junho de 2022 e previstas para terminar em maio de 2024, dentro do Programa Orla-POA, financiado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), as obras foram duramente impactadas com as enchentes, coincidentemente ocorridas no mesmo mês previsto para a finalização. Ao mesmo tempo, de lá para cá, de R$ 16 milhões, o contrato já está em R$ 24,6 milhões, R$ 8,6 milhões a mais ou 54% superior ao valor original, além de dez termos aditivos.
Procurada, a Smoi disse que reparos ainda serão feitos, e confirmou que apenas há um comércio com a fachada comprometida. Disse ainda que, nesta semana, os trabalhos no último trecho da revitalização do Quadrilátero Central, de cerca de 300 metros quadrados, serão noturnos. No próximo dia 28, começa a concretagem do piso, e, até lá, as equipes realizam o nivelamento do trecho e a fixação das tampas das caixas de inspeção, como água, luz e Internet.