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Painel no South Summit Brazil destaca uso da inteligência artificial generativa no Judiciário gaúcho

Magistrado do TRT4 destacou que ferramentas de IA aceleram tarefas burocráticas, mas sentença final sempre será de um humano

RS Innovation Stage do South Summit Brazil 2025 recebe a palestra Avanços no Judiciário: Inteligência Artificial no TRT-RS
RS Innovation Stage do South Summit Brazil 2025 recebe a palestra Avanços no Judiciário: Inteligência Artificial no TRT-RS Foto : Camila Cunha

O uso da inteligência artificial no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4) foi abordado em um painel no RS Innovation Stage, na manhã desta quinta-feira, segundo dia do South Summit Brazil 2025, ministrado pelo juiz Rodrigo Trindade de Souza, atuante na comarca de Lajeado. Ele apresentou os sistemas utilizados pelo tribunal no apoio à jurisprudência, como o Galileu, o e-Menta e o Aegis. Todos foram lançados em março e, de acordo com ele, auxiliam na busca de processos precedentes, mas não na produção de sentenças, tarefa esta que segue feita por um humano.

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“Sabemos dos três grandes medos relacionados à IA generativa: alucinações, vieses e opacidade. Um estudo recente demonstrou que o índice de alucinações, que também podemos chamar de mentiras ou invenções, é de 69% a 88%”, afirmou ele. Segundo o magistrado, a questão do uso da IA já está sendo vivenciada pelo Judiciário brasileiro, que “tem uma das melhores legislações do mundo” sobre o tema. O Galileu, por exemplo, ajuda na produção de sentenças, lendo linguagem natural, petição inicial, contestação e a defesa do réu, e a partir daí, faz um relatório, divide tópicos e estrutura a sentença.

A partir daí, é utilizado um banco de dados homologado pelo Judiciário para o auxílio da tomada de decisões, a partir do qual o juiz poderá comparar com outras ações já feitas e trabalhar na petição por si. Todas as ferramentas foram validadas e testadas por meio de pilotos, e em seguida homologadas. Outra das ferramentas atribui uma nota estatística para a probabilidade de um acordo, com índice de acerto de até 80%.

“A IA generativa é estatística, é probabilidade. Ela faz isso a partir de um algoritmo que define diversos elementos, e estabelece uma nota de 0 a 1. Quanto mais próxima do 1, mais provável será o acordo”, comentou Souza. Apesar de desburocratizar o trabalho, estas ferramentas devem ser utilizadas com parcimônia, garantindo que o juiz humano tomará uma decisão correta. Estas plataformas ganharam “praticamente todos os prêmios" de inovação, ainda conforme ele, e têm o respaldo inclusive do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, que é um entusiasta da tecnologia.

“Inclusive, esta ferramenta é objeto de um acordo com o STF, e também entregamos os códigos-fonte dela para o Supremo. Estes trabalhos vêm sendo produzidos de forma intensa e com a velocidade que a criação destas novas tecnologias nos impõe. A ferramenta não serve para transferir a tarefa de julgamento e intelectual dos servidores para as máquinas, mas para permitir que eles e os magistrados utilizem seu tempo para pensar, raciocinar, e refletir sobre as decisões”, destacou.