Cidades

Pesquisadores da UFPel realizam projeto na região de São Miguel das Missões

A iniciativa é uma parceria com o IPHAN e levará mais acessibilidade aos locais históricos

Após o projeto, as  históricas  ruinas devem ser mais acessíveis a todos os públicos
Após o projeto, as históricas ruinas devem ser mais acessíveis a todos os públicos Foto : Isabela Andrade/Especial/CP

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) está realizando um projeto na região das ruínas de São Miguel das Missões. A iniciativa, além de contribuir diretamente para o ensino de estudantes dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Engenharia na continuidade das atividades de educação patrimonial, prevê avanços nas ações de acessibilidade nos sítios históricos.

A professora Isabela Fernandes Andrade conta que a ideia da parceria surgiu após a manifestação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). "Durante o trabalho de restauro das obras vandalizadas em 8 de janeiro realizado pela UFPel, enquanto reitora estive contato com eles e naquele momento me apresentaram a demanda e como temos corpo técnico para desenvolver a atividade estamos realizando a parceria", afirma.

O projeto teve início em 2024 e as atividades estão a coordenação do professor da faculdade de Arquitetura e Urbanismo Eduardo Grala e conta a participação das professoras do curso Adriane Borda Almeida da Silva ,Aline Montagna da Silveira e de Isabela, que integra o Centro de Engenharias da universidade. Além da técnica-administrativa do curso de Arquitetura Cíntia Grupelli da Silva, do Pós-Doutorando Darlan Marchi e de estudantes de graduação e de pós-graduação de Arquitetura. O projeto foi intitulado "Saberes das Missões - Canteiro Modelo de Conservação".

Isabela passou a integrar efetivamente a iniciativa como pesquisadora neste ano, em sua segunda etapa, que visa trabalhar a acessibilidade das ruínas. "O grupo havia ido em 2024 para a primeira visita, fizemos uma segunda em maio e agora em setembro voltaremos novamente", garante. A parceria com o IPHAN também é realizada em outros espaços brasileiros, com outras instituições. Isabela conta que na viagem realizada no mês passado às ruínas foram desenvolvidas visitas exploratórias e levantamentos técnicos e fotográficos no contexto da acessibilidade nos quatro sítios históricos. Os dados foram registrados em planilhas e estarão em laudos acerca das condições de acessibilidade espacial nestes contextos históricos.

Foi realizado o levantamento fotogramétrico e diagnóstico da estrutura da Adega de São Miguel para intervenção de consolidação durante a etapa de formação de pedreiros e serventes que irão trabalhar na obra, o que deverá ocorrer em setembro. Também foi realizado o levantamento fotogramétrico de uma casa construída com pedras retiradas das ruínas de São Nicolau, para elaboração de diagnóstico e projeto de restauração.

Além disso, foram realizadas oficinas de educação patrimonial em escolas da rede municipal de três cidades da região, bem como atividades com os Guias de Turismo de São Miguel das Missões e com os funcionários do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo. "Também aproveitamos a viagem para reuniões com representantes de institutos de ensino para parcerias futuras . Eles atuam na região das Missões, uma vez que desenvolvem atividades no local e estão mais próximos", justifica.

A segunda etapa do projeto deve ser concluída até janeiro de 2027. Elas estão centradas na formação e qualificação da mão de obra local voltada à conservação e manutenção dos quatro sítios missioneiros da região. Para isso, serão desenvolvidos produtos e ferramentas que contribuirão diretamente para o processo de ensino e aprendizagem nesse campo. Além disso, o projeto prevê o avanço das ações de acessibilidade nos sítios históricos, a continuidade das iniciativas de educação patrimonial e o fortalecimento das parcerias com as instituições de ensino da região.

"A ideia é que em setembro possamos realizar novos levantamentos e a entregar os resultados da primeira etapa", projeta. Existe uma regra que todos os locais devem ser acessíveis a todas as pessoas. Isabela lembra que estes temas estão nas diretrizes curriculares dos cursos. "Então este projeto traz um ganho real para eles, pois estão vendo na prática o que é desenvolvido em sala de aula. Além disso, há o contexto patrimonial, como projetar considerando os aspectos de locais que garantem a memória das pessoas. Com isso, temos que ter cuidado para propor soluções e alternativas para evitar a descaracterização do bem material", pondera.

Além de Isabela, participaram da viagem as estudantes de arquitetura Iara Giroldo, Nátalin Pucinelli e Gabriela Parra, as alunas de mestrado Helena Passos e Marcela da Rosa Dias, as doutorandas Franciele Fraga Pereira e Carolina Mesquita Duarte, o doutorando Edemar Xavier Júnior, os mestres Anderson Aires e Karine Braga, o pós-doutorando Darlan Marchi, a técnica Cíntia Grupelli da Silva e a professora Adriane Borda Almeida da Silva. Também compôs a equipe a arquiteta Matilde Villegas, além das representantes do IPHAN Renata Fortes e Bibiana Rosa. Vladimir Stello, do Escritório Técnico do IPHAN em Laguna, que compõe a equipe de coordenação, também estava presente.

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