A retomada da navegação de longo curso no porto de Porto Alegre deverá ocorrer entre o final de janeiro e início de fevereiro, de acordo com a Portos RS. Já a navegação noturna tem retomada estimada para o próximo dia 27. A deliberação, que abrange ambas, foi assinada pelo governador Eduardo Leite na semana passada, em ato no Palácio Piratini. "A retomada da navegação de longo curso e a liberação da navegação noturna são resultados de planejamento, investimento contínuo e compromisso com a segurança da navegação.
Reestruturamos a hidrovia com dragagem, batimetria e um contrato de sinalização náutica continuado. Hoje, entregamos ao Estado uma hidrovia confiável, segura e preparada para sustentar o crescimento da atividade portuária", disse neste ato o presidente da estatal portuária, Cristiano Klinger. Apesar da assinatura, portanto, a volta destas ações não tem efeito imediato, ocorrendo na esteira dos resultados dos investimentos feitos pelo governo do Estado.
A navegação noturna, por exemplo, estava suspensa há 42 anos, assim como a retomada do longo curso foi conduzida de forma integrada entre a Autoridade Portuária, a Marinha do Brasil e a praticagem da Lagoa dos Patos. A dragagem imediata foi apontada por empresários do setor como uma das grandes dores da navegação interior gaúcha, depois de sucessivos encalhes de grandes navios, especialmente no final de 2024, frustrarem negócios com importantes indústrias da região Metropolitana.
Isto causou o encerramento de atividades de empresas como a Azevedo Bento, então a mais antiga do Rio Grande do Sul, por fatores logísticos. Com isso, segundo o empresariado, havia se tornado comum o descarregamento de produtos em portos como Rio Grande ou em Santa Catarina, para o restante do trajeto a Porto Alegre e região ser feito de carro, o que encarecia os custos.
As enchentes de 2024 foram apontadas como principal causa do problema, já que o acúmulo de sedimentos a partir de rios como Taquari, Sinos e Gravataí, trazidos pelo grande fluxo de água, fez a profundidade dos principais canais e o calado de 5,18 metros reduzir, prejudicando o trânsito de grandes navios na hidrovia por onde circulam, em média, seis milhões de toneladas de cargas por ano. Os investimentos feitos pela Portos RS para retomar a navegabilidade somam R$ 258 milhões, em recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).