Moradores do bairro Cidade Verde, em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana, sofrem com mais uma inundação nas ruas e casas, embora, nesta quinta-feira, a água tenha apresentado novo recuo, assim como ocorre nos últimos dias. O boletim mais recente da Secretaria Municipal da Reconstrução, Resiliência Climática e Defesa Civil (Secdef), da tarde de quarta-feira, contabilizava 278 desabrigados no município, todos no chamado Abrigo Bamerindus, na Estrada do Conde, além de 274 animais domésticos abrigados em uma área no bairro Industrial.
Ao todo, 11,5 mil pessoas foram atingidas pela mais recente inundação, 3,3 mil ficaram desalojadas e 66 se feriram. Na rua Napoleão Tavares de Jesus, a baixa da água do rio Jacuí é visível, fazendo com que alguns habitantes retornassem para suas residências. Pai e filho, Adão Salvato e Marcelo Salvato moram há quatro anos no local, tendo enfrentado, portanto, todas as inundações que devastaram Eldorado do Sul. Mesmo assim, eles se agarram na firmeza e na esperança de um futuro melhor. Adão, com 79 anos e ainda trabalhando, vestindo uma camiseta do Internacional, contou que conseguiu salvar esta e mais duas do clube.
Alagamentos no bairro Cidade Verde em Eldorado do Sul
Depois das enchentes de maio de 2024, ambos utilizaram os R$ 5,1 mil do Auxílio Reconstrução para comprar tintas para reformar a casa, já que a água causou danos às paredes, além de um fogão e um sofá. Eles chegaram a ficar alguns dias em um abrigo da Prefeitura, porém saíram com a redução do nível do rio. O pouco que há na casa está acima de paletes, improvisados para manter os itens no alto, longe da inundação. “Da outra vez, na enchente de 2024, a água tampou toda a casa, e agora, chegou a alguns centímetros acima do chão. Essa foi pequena”, acrescentou.
Já Marcelo faz tratamento para a saúde mental, e toma diversos medicamentos controlados. Segundo o pai, o filho ainda eventualmente sofre de convulsões. Em outras ruas, o cenário é igualmente desolador, com o recuo do Jacuí revelando a presença de pístias, plantas aquáticas presentes na região, enquanto em outros locais, como a área central, há diversos trabalhos de reconstrução, repintura e coleta resíduos. No entanto, não é difícil localizar neste bairro muitos comércios fechados e residências abandonadas, com placas de vende-se em frente.
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