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“Tenho certeza que não vou ficar”, diz advogada que vai deixar no Edifício Praça XV após incêndio

Além do trauma, profissional cita desvalorização comercial após incêndio

“O alarme de incêndio não funcionou, não tinha luz no corredor. Eu caí, me machuquei, foi um desespero", afirma Simone da Costa Silva
“O alarme de incêndio não funcionou, não tinha luz no corredor. Eu caí, me machuquei, foi um desespero", afirma Simone da Costa Silva Foto : Camila Cunha

A advogada Simone da Costa Silva, que há 17 anos mantém escritório no Edifício Praça XV - no lado esquerdo do casarão em que o fogo teve início na tarde ondem no Centro Histórico de Porto Alegre -, ainda tenta recuperar documentos e pertences pessoais que ficaram no local interditado. Ela conta que no momento do sinistro precisou descer pelas escadas, no escuro, enfrentando fumaça e pânico entre os ocupantes.

“O alarme de incêndio não funcionou, não tinha luz no corredor. Eu caí, me machuquei, foi um desespero. A gente só pensava em sair dali”, relatou. Segundo ela, havia idosos e pessoas com dificuldade de locomoção em andares superiores, o que aumentou a tensão durante a evacuação.

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Sem poder acessar a sala onde mantém seus arquivos e equipamentos, Simone desabafa: “Não estou pedindo esmola, estou pedindo por necessidade. É um absurdo. Tenho minha carteira da OAB, meus documentos, tudo lá dentro. Tenho problema de saúde, só tenho 30% da capacidade pulmonar e amanhã tenho uma consulta médica. Não posso perder a consulta", lamenta.

Ela diz, ainda, que não pretende continuar no local. "Não é algo que cogito, eu tenho certeza que não vou ficar. Já há uma desvalorização comercial, agora vai piorar", conclui.

Alarme não funcionou, relata professor

O professor Tiago Cardona, de 50 anos, estava em aula no quarto andar do edifício Phenix (no lado direito do casarão), onde funciona uma escola de cursos profissionalizantes, quando o incêndio começou. Ele conta que não houve aviso sonoro e que precisou agir rapidamente para retirar os alunos do prédio.

“Não deu sinal de alarme, chamei todos os alunos e descemos pelas escadas. Quando começou a fumaça, subi no mezanino e vi que estava pegando fogo. Logo depois ouvi uma explosão nos fundos do casarão e resolvemos sair rapidamente”, relatou.

Do lado de fora, Tiago observou que o mezanino foi completamente destruído. “Agora é tentar entrar para ver o estrago. Só estamos esperando os bombeiros liberarem, para que a perícia entre no prédio e a Defesa Civil faça a avaliação”, disse.