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Usina do Gasômetro é reinaugurada e prefeitura inicia transição dos espaços para a iniciativa privada

Após oito anos fechada para reformas, espaço cultural é devolvido à população com nova praça e edital de transição; modelo de PPP divide opiniões e já enfrenta questionamentos

Cerimônia de reinauguração contou com apresentações artísticas que relembraram a história da antiga Termelétrica de Porto Alegre, desativada em 1974
Cerimônia de reinauguração contou com apresentações artísticas que relembraram a história da antiga Termelétrica de Porto Alegre, desativada em 1974 Foto : Fabiano do Amaral

A Usina do Gasômetro, um dos principais cartões-postais de Porto Alegre, foi reaberta na noite desta terça-feira, 26, após um longo período de obras de revitalização. O prédio histórico, fechado desde 2017, passou por investimentos de R$ 25,9 milhões em melhorias de infraestrutura, climatização, acessibilidade, piso, telhado, rede elétrica e elevadores. A cerimônia de entrega contou com apresentações musicais e de dança, além da abertura oficial da nova praça ao lado do complexo, que conecta o trecho 1 da Orla ao Cais Embarcadero e já está disponível ao público.

O espaço, tombado como patrimônio municipal em 1982 e estadual em 1983, volta a receber atividades culturais ainda em 2025. Durante o evento, a Secretaria Municipal de Cultura (SMC) lançou edital para seleção de projetos artísticos que ocuparão os diferentes ambientes da Usina entre setembro e dezembro. As inscrições ocorrerão de 8 a 26 de setembro.

A Usina do Gasômetro é um dos símbolos mais potentes de Porto Alegre e, depois de tantos anos fechada, volta revitalizada à população. Foram investimentos importantes para recuperar esse patrimônio histórico e cultural, que seguirá público e democrático.
Prefeito Sebastião Melo

A obra, coordenada pela Smoi ao longo de cinco anos, envolveu reforço estrutural, modernização das instalações e restauração integral de mais de 12 mil metros quadrados. Os trabalhos incluíram a renovação das redes elétrica e hidráulica, recuperação de lajes, vigas e paredes, implantação de sistemas de segurança e acessibilidade, climatização e automação dos ambientes. Todas as características originais do prédio de mais de 90 anos foram preservadas.

“Hoje, a usina, que já transformou carvão em energia, está preparada para transformar vidas e movimentar a cena cultural, gastronômica e criativa da cidade”, destacou o secretário de Obras e Infraestrutura, André Flores.

PPP prevê concessão por 20 anos

Paralelamente à reinauguração, avança o processo de Parceria Público-Privada (PPP) que definirá a administração do espaço pelos próximos 20 anos. O modelo prevê a preservação do caráter cultural da Usina, o acesso gratuito às áreas comuns e a possibilidade de exploração econômica de eventos, cursos, gastronomia e oficinas.

O contrato da PPP é estimado em até R$ 95 milhões, incluindo aporte inicial de R$ 5 milhões por parte da concessionária vencedora e repasses anuais da prefeitura que podem chegar a R$ 4,9 milhões a partir do terceiro ano de gestão. A estrutura contará com 13 espaços culturais — cinema, teatro, salas de exposição, estúdios e áreas para dança — além de um hub de economia criativa, restaurante, cafeteria, bar e loja de souvenirs.

Veja fotos da Usina do Gasômetro após obra de revitalização

O prefeito Sebastião Melo destacou que o modelo de gestão compartilhada busca garantir vitalidade contínua ao espaço.
"A Usina é um espaço de todos, e a parceria é fundamental para devolver o protagonismo desse patrimônio tão querido de Porto Alegre. Queremos resgatar a importância do Gasômetro para a cultura e também fortalecer o turismo da cidade", afirmou.

Críticas e questionamentos

Apesar da festa de reinauguração, o projeto de concessão tem gerado controvérsia. Na segunda-feira, 25, uma audiência pública promovida pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa debateu possíveis impactos da PPP. Parlamentares, representantes de entidades culturais e movimentos sociais levantaram preocupações sobre a sustentabilidade financeira do modelo, a preservação do caráter público da Usina e até mesmo o risco de judicialização do edital.

O Ministério Público Federal também pediu esclarecimentos à prefeitura sobre a proposta, incluindo detalhes do repasse de recursos públicos à futura concessionária. Para críticos, o valor de até R$ 95 milhões em aportes municipais ao longo de duas décadas poderia representar subsídio excessivo à iniciativa privada, além de abrir margem para disputas jurídicas.

Transição cultural

Enquanto o processo licitatório não é concluído, a gestão do espaço ficará sob responsabilidade da SMC, que organizará a agenda de atividades por meio de editais. A secretária Liliana Cardoso ressalta que a etapa de transição busca devolver vida ao Gasômetro:

"A seleção pública priorizará projetos ligados a arte, inovação, patrimônio, identidade e diversidade, garantindo que o espaço esteja em permanente diálogo com a comunidade cultural da cidade”, explicou.

Marco histórico

Construída em 1928 como usina termelétrica e desativada em 1974, a Usina do Gasômetro se consolidou nas últimas décadas como referência cultural. Desde 1981, a prefeitura detém a cessão do prédio, que originalmente pertencia à Eletrobras e hoje está sob domínio da estatal ENBPar. A reabertura de 2025 representa mais um capítulo na trajetória de transformação do edifício em símbolo da vida cultural porto-alegrense — agora sob o desafio de conciliar patrimônio público, participação da iniciativa privada e permanência como espaço democrático de acesso à arte.

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