Adquirir um negócio já em operação é um caminho considerado mais seguro por muitos profissionais no Brasil que desejam iniciar na carreira de empreendedores. Depois de 33 anos na dança profissional e como professora de balé e jazz, Fernanda Sesterheim passou a proprietária da sua própria escola. Apesar de ter sido inaugurado em 2024, o Studio F Centro de Dança não começou do zero. Ela continua o legado da Escola de Danças Kitty, fundada por Cristiane Dihl, a Kitty, em 1982, onde Fernanda dançou a vida inteira.
A transição ocorreu quando Kitty resolveu se aposentar das funções de diretora e ofereceu a escola para Fernanda. “Quando eu era mais nova, eu tinha aquele sonho de ter a minha escola, mas era uma coisa meio adolescente. Com os anos, eu perdi essa vontade. Em um primeiro momento, eu disse que iria pensar, depois eu percebi que a oportunidade estava na minha frente. Por que não começar um negócio meu?”, conta.
A nova sede foi inaugurada em março deste ano, marcando a transição de forma mais palpável, já que o estúdio ainda atuava no prédio da antiga escola até o ano passado. O centro de dança hoje oferece aulas de ballet, jazz e street dance para crianças, adolescentes e adultos e conta com uma equipe de oito professores e mais dois substitutos.
Empreendedora além de coreógrafa
A nova função também trouxe novos desafios, entre eles estar responsável por tudo que acontece dentro e fora da sala de aula. “Quando a gente está na linha de frente, precisamos tomar todas as decisões e arcar com todas as consequências também”, comenta.
Além disso, neste primeiro ano na nova sede, os gastos da obra fazem com que a questão financeira demande mais atenção. Para melhorar a visibilidade do Studio F e ajudar na captação de alunos, a empreendedora avalia que seria necessário um plano de ação mais bem estabelecido voltado para o marketing e as redes sociais, o que deve ser colocado em prática a partir de 2026.
Mesmo com as preocupações que vieram junto ao assumir a escola, Fernanda relata que gostou de assumir esse papel. “A melhor parte eu não sei te dizer, porque eu gosto de tudo. Me vi num lugar que eu gosto de estar, encabeçando tudo isso e gerando muitos novos projetos”, complementa.
Em um futuro próximo, a ideia é ter um papel cada vez mais ativo e definido de empreendedora. Para isso, pretende delegar algumas de suas funções para poder se dedicar mais a este outro lado. “Isso não está sendo um peso, acho que estou preparada para passar para uma outra fase. Claro que não vou largar a função de professora, porque eu acho importante estar dentro da sala de aula também para entender algumas coisas.”
Negócio quase de família
Fernanda já atuava como braço direito de Kitty, mesmo antes de assumir o negócio. Agora como proprietária, ela ainda recorre aos conselhos da antiga professora quando precisa tomar algumas decisões importantes.
Fernanda também contou com sua família desde o início. O apoio financeiro e logístico permitiram que ela trilhasse o caminho na dança. “Toda família se envolveu muito nesse processo também, estão sendo bem presentes e indispensáveis para que tudo aconteça”, relata.
*Com supervisão da jornalista Karina Reif