A edição desta sexta-feira do painel Meeting Jurídico da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul) contou com um debate sobre oportunidades, ética e segurança no uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) e automação no ambiente empresarial. Participaram do encontro o sócio-fundador da Privacy Tools, Marison Souza; o advogado empresarial e especialista em Gestão de Risco, Rafael Reis; e a advogada e Data Protection Officer (DPO), Joyce Bachelli.
No painel, os especialistas na área do Direito e desenvolvimento de tecnologias reforçaram que a temática da IA no âmbito corporativo, principalmente relacionada com o uso e análise de documentos sigilosos, está diretamente relacionada com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Eles detalharam ainda como funciona o processo de desenvolvimento destas ferramentas e apontaram que a criação de soluções em IA também é uma questão de soberania.
O integrante da Comissão de Assuntos Trabalhistas da Divisão Jurídica da Federasul, Gustavo Casarin, mediou o encontro e destacou que é essencial compreender e orientar o público interno das empresas sobre a tecnologia. “A ferramenta está aí para o uso de todos. Mas com todas suas oportunidades, surge também a responsabilidade. Esse tema não se esgota hoje, pois a cada dia a IA nos apresenta novidades”, apontou.
Reis apontou também a iminente necessidade das equipes jurídicas de conhecem e compreenderem a ferramenta em termos estruturais. O especialista em Gestão de Risco explicou também as diferenças no desenvolvimento entre IA e automação. Além disso, ele espera que, nos próximos anos, as ferramentas serão incorporadas aos sistemas de uso comum das empresas, com muitas pessoas nem percebendo que estão fazendo uso de inteligência artificial em sua rotina.
“Nosso papel como profissional do Direito é promover o processo de aculturamento com segurança destas ferramentas. O jurídico vai ter um papel muito importante nos próximos anos para mostrar às outras áreas da empresa os riscos e os caminhos para o uso da IA. Elas devem ser empregadas, mas no momento em que dados sensíveis podem ser manuseados, o usuário precisa ter um cuidado maior. Esse é um dos primeiros balizadores de se a ferramenta deve ou não ser utilizada”, citou.
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O sócio-fundador da Privacy Tools apontou a necessidade e o cuidado redobrado com o entendimento de como as ferramentas são feitas e, principalmente, com seus bancos de dados. Ele citou o exemplo registrado de um grupo de profissionais de uma empresa de tecnologia que, ao utilizar uma ferramenta de IA aberta – ou seja, gratuita –, acabou subindo dados sigilosos na plataforma que tem controle acionário de uma concorrente.
“Existem softwares hoje que possuem integração com quatro ou cinco IA’s diferentes para atender as necessidades de seu negócio. Será que isso é transparente, ao contratar empresas que mandam seus dados para diversas outras IA’s? Eu acho que não. Por isso, a solução para a empresa é buscar ter uma IA fechada, de uso exclusivo da corporação, ou aquela IA contratada oficialmente por ela”, completou. A Privacy Tools é uma empresa gaúcha e uma das maiores plataformas brasileiras de segurança de dados.
A advogada Joyce Bechelli apresentou o case de aplicação de uma ferramenta de IA baseada na análise documental na empresa Sinosserra, onde trabalha. Em determinada atividade, a verificação era feita de forma manual, com duração estimada em 24h. Com o uso da tecnologia, o processo foi agilizado para poucos minutos, reduzindo ainda custos do serviço.
“Nos últimos anos, muito tem se falado sobre a IA e dessa tendência de que todos precisam utilizar. A tecnologia tem que vir para solucionar problemas, e não apenas para dizer que usa. A análise documental por ferramenta de IA é algo muito comum e pode ser altamente replicada e útil em muitas outras empresas”, concluiu.