Para proteger alunos atípicos dos ruídos emitidos pelo som de aviões, a Fraport Brasil, administradora do Aeroporto Internacional Salgado Filho, de Porto Alegre, doou cerca de 40 protetores auditivos para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) da Escola Municipal Doutor Liberato Salzano Vieira da Cunha, no bairro Sarandi. O objetivo é abafar os ruídos emitidos nas imediações da instituição, que é localizada a poucos metros do aeroporto, e o som da passagem dos aviões é escutado com frequência.
Na escola, há mais de 100 alunos com necessidades especiais. Rochele Soares, diretora da escola, destaca a ação como forma de não só proteger, mas de potencializar o aprendizado dos alunos. “É de extrema importância essa ação, porque nós trabalhamos rotineiramente com os ruídos dos aviões, porque aquele espaço é muito próximo à escola. Como nós temos um grupo bem grande de alunos de inclusão, isso incomoda bastante além de outros barulhos, e esse é um barulho mais intenso. Essa iniciativa de virem esses abafadores vai ser muito bom para o dia a dia deles”, diz.
A equipes de Meio Ambiente e Operações do aeroporto fazem medições para verificar se o ruído aeronáutico está dentro dos níveis adequados. De acordo com a empresa, há controle na escola, e o ruído está de acordo com o estabelecido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Considerando que os níveis estão no padrão, mas que ainda assim pode causar incômodo a pessoas mais sensíveis ao som, a doação foi feita como “uma ação extra”, visando o suporte aos alunos e à comunidade escolar, destaca Paula Juruena Eidt, diretora jurídico-ambiental da Fraport Brasil.
“A gente compreende a importância do aeroporto enquanto modal aéreo e desenvolvedor econômico da cidade e do estado, mas também entende a importância que a gente tem na comunidade do entorno. É muito importante ter relações fortalecidas com os alunos, com as pessoas que moram e trabalham em volta do aeroporto”, diz.
Lisiane Roberta Gomes, mãe do Cassiano, de 12 anos, acredita que os protetores vão auxiliar na rotina do filho como pessoa com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). "Na hora do recreio, quando passam os aviões bem baixinhos, o barulho é alto e eles reclamam e até ficam apavorados", relata. "Mesmo com a medição estar dentro dos conformes, eles olharam para a gente com uma visão de que poderiam ajudar. Eles tiveram esse olhar de acolher as crianças", complementa.
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