Professores da rede municipal de Canoas se concentram nesta manhã na Praça da Emancipação, em frente ao prédio da prefeitura, com faixas, cartazes, bandeiras e apitos a fim de pressionar o governo municipal para os principais 12 pontos de reivindicação da categoria. A mobilização da categoria teve início na semana passada quando os profissionais da educação deram início ao movimento paredista já no dia 14 de abril. Nesta quarta-feira, deflagrou-se, de fato, a greve da educação.
O professor Jonathan Zotti da Silva, que está no comando de greve e é uma das lideranças, destaca que a categoria luta pela reposição salarial, que deveria ter sido paga em janeiro, e pagamento do piso nacional, relacionado com a reposição do IPCA. "Tem a pauta do descongela, além do aumento real de salário, que a gente está trabalhando apenas com o índice de 10%, pois a categoria está há 24 anos sem aumento real." Conforme o professor, a categoria também reivindica pela nomeação dos aprovados no último concurso, pela contratação de vigilantes nas escolas, revisão dos planos de carreira e pelo enquadramento da Lei 15.326 de 2026.
"Outro item importante é negociar os dias paralisados a serem pagos, provavelmente em sábados letivos ou em dezembro. Precisamos sim negociar os dias paralisados." Os últimos itens da pauta, segundo Silva, são os monitores para inclusão, a ampliação do vale alimentação para outras cidades e a criação de um Grupo de Trabalho (GT) permanente, formado por membros do comando de greve, Sindicato e Executivo. "Queremos acompanhar os prazos. Porque se não forem respeitados, vamos parar novamente."
FALTA DE PROFESSORES PREJUDICA QUALIDADE DO ENSINO
Segundo ele, o principal enfrentamento da categoria é a falta de professores. "O governo traz uma narrativa de que é ruim que as escolas estejam fechadas porque as famílias estão sendo afetadas. Só que as famílias são afetadas, mesmo com as escolas abertas, pois muitos professores que não são formados na área dão aula para cobrir a falta de professores, que é algo permanente em Canoas."
Para Silva, o governo não está preocupado com a qualidade da educação. "Quando o município não garante professor em sala de aula, com formação na área, não garante segurança, quando o município não garante equipe diretiva completa, auxiliar de inclusão para as crianças atípicas, não está preocupado com a qualidade do ensino."
PREFEITO RECEBE COMISSÃO PARA DIALOGAR E BUSCAR SOLUÇÕES
O prefeito Airton Souza esteve na Praça da Emancipação, onde os grevistas estavam concentrados, para reafirmar pessoalmente a disposição de diálogo e de busca de soluções para o impasse. "Eu acredito no diálogo como caminho para resolver qualquer diferença. É assim que vamos seguir conduzindo essa situação, com respeito aos profissionais e compromisso com a Educação."
Depois disso, o prefeito recebeu uma comissão do comando de greve e do Sindicato dos Profissionais de Educação de Canoas (Sinprocan) para uma reunião voltada à construção de saídas para o movimento grevista no gabinete do Executivo. A atual gestão esclarece que já vem adotando medidas concretas de valorização dos profissionais da Educação e de fortalecimento da rede municipal. Entre os avanços estão a contratação de 500 monitores de inclusão, sendo metade deles com início de atuação ainda em abril, a realização de concurso público para reforço do quadro de servidores, a garantia do vale-alimentação, a retomada das eleições para diretores, a correção de descontos de aposentados e a manutenção do auxílio-transporte, mesmo com a implantação do Passe Livre.
Também fazem parte das medidas a implementação do cargo de vice-diretor em escolas que não contavam com esse suporte, além de melhorias na tecnologia e na estrutura das escolas da rede municipal.
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