Professores da rede municipal de Canoas definiram, em nova assembleia realizada na quarta-feira, por paralisarem as atividades escolares nesta quinta e também na sexta-feira. De acordo com a presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan), Simone Riet Goulart, a categoria também decidiu pela deflagração da greve no próximo dia 22 de abril, quarta-feira. O movimento paredista teve início na terça-feira, com grande adesão dos profissionais. A rede municipal da Canoas tem, ao todo, 83 escolas, cerca de 2 mil professores e 30 mil alunos matriculados.
Conforme a presidente do Sinprocan, entre as reivindicações estão a reposição salarial (4,26% do IPCA) que deveria ter sido paga em janeiro, a composição do quadro de profissionais, a contratação de monitores de inclusão e o pagamento do piso. "O quadro incompleto dos profissionais dentro das escolas compromete a qualidade da educação. Cada profissional tem uma habilitação e deve atuar na sua área de conhecimento. Isso deve ser respeitado. A falta de profissionais compromete o planejamento. O que está acontecendo é uma morosidade por parte do poder público. A categoria está insatisfeita e descontente."
Uma comissão para dar seguimento às negociações junto à prefeitura está sendo formada nesta quinta-feira por integrantes do sindicato. Simone também pontua problemas na infraestrutura de algumas instituições como, por exemplo, na questão de elétrica e hidráulica, além de pequenas reformas na estrutura predial. Segundo Simone, cerca de 70% dos profissionais aderiram ao movimento e todas as escolas foram impactadas pela paralisação.
COMO SE POSICIONA A PREFEITURA DE CANOAS
A prefeitura de Canoas informa que acompanha com preocupação a paralisação dos profissionais da educação. O movimento, considerado inconstitucional pela administração, foi conduzido por um setor da categoria dos professores e trouxe prejuízos às famílias e aos alunos da rede municipal.
Desde o início da atual gestão, vêm sendo adotadas medidas concretas para a educação e para os profissionais da rede. Entre os avanços estão a garantia do vale-alimentação, a retomada das eleições para diretores, a correção de questões relacionadas aos descontos dos aposentados, a manutenção do auxílio-transporte dos professores mesmo com a implantação do passe livre, o retorno de vice-diretores para escolas, melhorias na tecnologia e na estrutura da rede municipal.
Além disso, a administração mantém negociação aberta sobre a pauta de reivindicações apresentada pelo sindicato dos professores. Parte dos pontos já foi atendida, e os demais estão com prazo de resposta definido.
A prefeitura reconhece que a manifestação teve início como uma ação legítima. No entanto, avalia que o movimento acabou sendo prejudicado pela atuação de infiltrados, ligados à política partidária, que tentam transformar a pauta em palanque político-eleitoral. Por fim, reafirma que seguirá aberta ao diálogo, mas informa que não haverá abono de ponto aos profissionais que não comparecerem ao trabalho. A prioridade da gestão é garantir que os alunos não sejam prejudicados.
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