Profissionais da educação da rede municipal de São Leopoldo paralisaram as atividades nesta quarta-feira em defesa da educação pública de qualidade e pela valorização profissional. A mobilização foi convocada após a categoria rejeitar, por duas vezes consecutivas, a oferta do Executivo sobre a proposta de reajuste salarial de 3,77%, parcelado em três vezes: 1,89% em abril e 1,88% em outubro, com pagamento retroativo apenas em dezembro. A categoria reivindica reajuste de 7,1% mesmo índice que foi reajustado o Fundeb, lutam por reajuste no Programa de Alimentação e por um Plano de Saúde acessível com contrapartida da prefeitura.
Os professores, que mantêm concentração em frente à prefeitura durante toda a manhã e saem em caminhada ao meio-dia pela avenida Independência, classificam a proposta apresentada pela atual gestão como desrespeitosa. Cerca 90% das escolas da rede municipal aderiram à paralisação. Destas, 25 instituições suspenderam totalmente as atividades e 21 aderiram parcialmente à paralisação.
A presidente do Ceprol Sindicato, Cristiane Mainardi, diz que o município pode sim chegar a um percentual maior de valorização. "O Fundeb foi reajustado em 7,1%, o Piso Nacional do Magistério, em 5,44%. O município tem margem para negociação de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal." De acordo com Cristiane é preciso investir em educação, em salário de professores, em valorização profissional.
"Porque é lá na ponta, é no chão da escola, que estamos vivendo as violências nas instituições. Somos nós que estamos dando conta da inclusão sem um apoio necessário. Não se faz a educação sem as profissionais da educação." A luta da categoria é em defesa da educação, por valorização profissional, por condições de trabalho, no combate às violências e pela inclusão com qualidade. "Se perdemos a educação de vista, nós perderemos uma sociedade justa, solidária e humana."
EXECUTIVO DESTACA QUE NEGOCIAÇÃO PERMANECE ABERTA
O município informou que permanece em diálogo aberto e transparente com a categoria. Esclarece ainda que o índice inflacionário de 3,77% é do período e a prefeitura já paga o Piso do Magistério desde o ano passado. Além disso, é o que a possibilidade financeira do município pode comportar. A mesa de negociação permanece aberta.
Sobre a paralisação desta quarta, cada unidade escolar da rede municipal terá autonomia para definir sua adesão ao movimento, podendo ocorrer de forma parcial ou integral. A Secretaria de Educação reforça que está acompanhando a situação junto às equipes diretivas das escolas e destaca que, conforme determina a legislação vigente, o dia letivo e a carga horária eventualmente afetados serão recuperados posteriormente, garantindo o cumprimento do calendário escolar e o direito à aprendizagem dos estudantes.