Bonilha diz que clientes pediram para porta da Kiss ser aberta, mas não foram ouvidos

Bonilha diz que clientes pediram para porta da Kiss ser aberta, mas não foram ouvidos

Depoimento do réu foi carregado de bastante emoção

Correio do Povo

Luciano Bonilha se emocionou em diversos momentos do julgamento

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O ex-produtor da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha, disse no nono dia de julgamento do Caso Kiss que os clientes da boate nos momentos iniciais do incêndio correram até a porta do estabelecimento e pediram para que a porta da casa fosse aberta, mas não tiveram resposta. "Eu passei na frente do espelho d´água. Eu vi que as pessoas diziam: 'tá pegando fogo, abre a porta, abre a porta'. E não abriu a porta", afirmou na sessão desta quinta-feira do Foro Central de Porto Alegre. Momentos depois, a entrada foi aberta, e segundo o acusado, isso fez com que a fumaça tóxica se espalhasse pela Kiss.

Questionado se o bloqueio temporário havia sido feito por conta do não pagamento de comandas da festa, o réu disse que não sabia. De acordo com Bonilha, não houve indicações por parte de funcionários da casa para que as pessoas evacuassem da boate assim que o incêndio teve início. O estabelecimento, segundo ele, estava bastante lotado no dia da tragédia. "Os jovens não conseguiam ficar com as garrafas nas mesas. Tinham que ficar com elas nas mãos. Era muito apertado”, disse. 

Bonilha descreveu ter participado de cerca de 14 shows da Gurizada Fandangueira. Destes, nove teriam sido com artefatos pirotécnicos, sendo ao menos dois na boate Kiss. Ele indicou que era do conhecimento da casa que o grupo musical utilizava os artifícios em suas apresentações. "Eu acredito que o Danilo (integrante da banda que morreu no incêndio) não iria me colocar na situação em que eu estou hoje, preso, sem avisar", refere-se ele a uma conversa que afirmou ter com o réu Elissandro Spohr. 

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Bonilha levou a camiseta que usou na noite da tragédia / Foto: Ricardo Giusti 

De acordo com o réu, era ele o responsável por fazer a compra dos artefatos pirotécnicos. Segundo Bonilha, os materiais eram adquiridos fora da caixa e ele não tinha conhecimento prévio se eles eram os mais indicados para ambientes fechados e abertos. Ele afirmou que considerava a boate segura porque não tinha conhecimento de que a casa teve o teto rebaixado e a colocação de espumas para melhorar a acústica. 

Bonilha ainda disse que foi utilizado um extintor para tentar combater o incêndio, mas ele não funcionou. De acordo com ele, era responsabilidade da casa verificar se os equipamentos estavam ou não nos conformes. Muito emocionado, ele diz que sua vida mudou drasticamente depois da acusação da tragédia. “Estou preparado para ser condenado se for para diminuir a dor das famílias, mas tenho a consciência tranquila de que sou inocente”, afirmou. 

Após a fase de depoimentos de testemunhas e informantes, o julgamento entrou nessa quarta-feira na fase de interrogatório dos réus. Elissandro Spohr foi o primeiro e Bonilha, o segundo. Em sua manifestação Spohr relatou que a banda Gurizada Fandangueira fez o uso de artefatos pirotécnicos sem sua autorização na noite da tragédia 


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