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Familiares das vítimas da boate Kiss farão protesto em Santa Maria

Soltura dos réus é a renovação do nosso luto, afirmou presidente de Associação

Revoltados com a decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), que aprovou o pedido de liberdade dos quatro réus detidos devido à tragédia da boate Kiss – os sócios da casa noturna Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, o vocalista da banda Gurizada Fandagueira, Marcelo de Jesus dos Santos, e o produtor do grupo, Luciano Bonilha Leão –, os familiares das vítimas e sobreviventes do incêndio farão um protesto na tarde desta quinta-feira, em Santa Maria. O grupo vai se reunir na praça Saldanha Marinho, na área central da cidade, a partir das 15h. A forma de protesto ainda não foi divulgada.

O presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Adherbal Ferreira, disse que a decisão renova a dor dos familiares. “Infelizmente, é a renovação do nosso luto. O que vivenciamos foi como se fosse um velório. Tu sobes cada degrau a passo de formiguinha. Subimos 100 ao longo desses quatro meses e, de repente, levamos um tombo de 60.”

Ferreira afirmou que o sentimento de revolta é muito grande e que teme, inclusive, pela integridade dos próprios acusados. “(A decisão) afetou a mente das pessoas. A população está revoltada. Quem vai controlar o clamor da população? Eu temo pela fragilidade dos pais e o que possa acontecer daqui pra frente, e com a integridade dos réus também.”

Presos de forma preventiva desde 28 de janeiro, os réus deixaram a Penitenciária Estadual de Santa Maria, no distrito de Santo Antão, por volta das 21h30min, em quatro carros diferentes. A decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) atendeu ao pedido de habeas corpus do advogado do vocalista. Em 27 de janeiro, ele manuseou um sinalizador cujas faíscas encostaram na forração da casa noturna. Santos é acusado de homicídio com dolo eventual, qualificado por asfixia, incêndio e motivo torpe.

MP deve recorrer

Responsável pela denúncia no processo criminal relativo ao incêndio da boate Kiss, que matou 242 pessoas desde 27 de janeiro, o promotor de Justiça de Santa Maria Joel Dutra confirmou que o Ministério Público deve recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar fazer com que os quatro réus que conseguiram liberdade provisória voltem à prisão. Ele explicou que, antes, o acórdão precisa ser publicado e o órgão notificado oficialmente da decisão tomada na tarde desta quarta-feira pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A tragédia deixou 242 pessoas mortas.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

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