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Promotor que recebeu voz de prisão se diz vítima de armação

Defensora pública argumenta que não houve abuso de autoridade sobre Eugênio Amorim

Defensora pública argumenta que não houve abuso de autoridade sobre Eugênio Amorim
Defensora pública argumenta que não houve abuso de autoridade sobre Eugênio Amorim Foto : Fabiano do Amaral / CP Memória
O promotor de Justiça Eugênio Amorim afirmou, nesta quarta-feira, que foi vítima de uma “armação orquestrada” pela juíza Rosane Michels, após receber voz de prisão da defensora pública Tatiane Boeira em uma audiência na 1ª Vara do Júri de Porto Alegre, no final da tarde de terça-feira. O motivo da animosidade, segundo o promotor, seria o pedido de afastamento feito por ele para que a magistrada deixasse o caso do assassinato do ex-secretário Eliseu Santos, o que não ocorreu. “Por isso, a juíza criou uma inimizade comigo”, afirmou. “Ela não gosta mais de mim e quer me prejudicar.”

Amorim disse que a defensora pública lhe deu voz de prisão porque queria dissolver o Conselho de Sentença, uma vez que teria percebido a iminente condenação dos réus. Fazendo isso, segundo ele, Tatiane cometeu abuso de autoridade. “A voz de prisão foi ilegal e não me senti preso. Tanto que fomos todos ao Ministério Público e eu fui liberado”, disse.

Quanto à acusação de que teria chamado a juíza de mau-caráter, mentirosa e parcial, o promotor de Justiça nega. Segundo ele, a sua reclamação foi de que a magistrada estava mentindo, quando afirmou que ele estava armado e provou que não. Amorim também afirmou que não a chamou de parcial, mas disse que ela “estava sendo parcial”. “Não a adjetivei, apenas disse que ela estava sendo, o que juridicamente tem uma grande diferença”, ponderou.

Confusão


A discussão ocorreu durante uma audiência de quatro réus (ao todo são 12 acusados), suspeitos de envolvimento em um tiroteio na Vila Mario Quintana, na zona Norte de Porto Alegre. Três dos acusados já tinham sido ouvidos. O desentendimento iniciou durante o depoimento do quarto acusado.

Durante a discussão, Amorim recebeu voz de prisão da defensora pública, ato que, posteriormente, foi ratificado pela juíza. Segundo o promotor de Justiça, a magistrada teria determinado que dois seguranças do Foro ficassem na porta da sala que Amorim ocupa. Os envolvidos foram ouvidos na noite de terça.

“Questão de ordem”

Já a defensora pública afirma que não cometeu abuso de autoridade quando deu voz de prisão. Ela lembrou que três dos quatro réus, que seriam ouvidos na terça, tinham falado. Quando o quarto acusado foi falar, segundo Tatiana, Amorim teria requerido que fossem postos no processo documentos da Operação Poeta, da Polícia Federal. “Pedimos questão de ordem, pois não tínhamos conhecimento desse documento. A juíza entendeu que deveria continuar o interrogatório.”

No intervalo, houve um desentendimento entre um advogado e Amorim. O defensor passou mal e teve de ser examinado por um médico. Ele comunicou que não poderia continuar no júri e pediu a dissolução do conselho de sentença. “Quando a juíza começou a falar, Amorim interferiu aos gritos”, contou Tatiana.

A defensora afirmou que viu ser cometido um crime de desacato e deu voz de prisão para que as agressões parassem. “Ele não foi preso e todas as prerrogativas dele foram respeitadas. Não abusei de qualquer autoridade, apenas quis parar com a confusão.”

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