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Teerã promete manter ataques na Ásia enquanto EUA atacam área nuclear e fronteiras

Teerã adota doutrina de "olho por olho" após ameaça de Trump contra infraestrutura civil; ofensiva no Mar Vermelho agrava crise no abastecimento global de petróleo

Irã teve a 12ª noite consecutiva de ataques do Comando Central dos EUA (Centcom) contra instalações militares do país
Irã teve a 12ª noite consecutiva de ataques do Comando Central dos EUA (Centcom) contra instalações militares do país Foto : AFP

O Irã prometeu nesta quinta-feira (23) manter suas operações militares no Oriente Médio enquanto os Estados Unidos não interromperem os ataques ao país. A declaração ocorre em meio à expansão do conflito após os rebeldes huthis do Iêmen ampliarem ações no Mar Vermelho, reeditando a instabilidade e elevando o barril do petróleo Brent a US$ 97,80 (R$ 499,73) — uma alta de 4% que reacende temores de inflação e desaceleração econômica global.

"As represálias das forças armadas continuarão enquanto prosseguirem os ataques dos Estados Unidos contra a infraestrutura e as zonas costeiras do país", declarou o porta-voz das forças armadas iranianas, Mohammad Akraminia.

Doutrina do "olho por olho" e bombardeios recíprocos

O reposicionamento iraniano responde à décima segunda noite consecutiva de ataques do Comando Central dos EUA (Centcom) contra instalações militares do país. Na quarta-feira, o presidente Donald Trump ameaçou destruir pontes e usinas elétricas iranianas a cada disparo contra navios no Estreito de Ormuz. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, rebatou: "Nossa doutrina de defesa é clara: olho por olho".

Veículos estatais iranianos relataram duas mortes por ataques americanos em Shalamcheh, na fronteira com o Iraque, e o impacto de dois mísseis em Bushehr, sede da única usina nuclear civil do Irã. Em contrapartida, Teerã lançou projéteis contra posições americanas na Jordânia e no Kuwait, ambos com sistemas de defesa acionados para interceptações.

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Ofensiva huthi no Mar Vermelho e bloqueio em Ormuz

A crise ganhou nova frente no Mar Vermelho com a reivindicação huthi de ataques a dois petroleiros sauditas (Encelia e Layla), cumprindo a ameaça de bloqueio naval contra a Arábia Saudita. A agência britânica UKMTO e o governo de Riade confirmaram o ataque ao Encelia, que registrou incêndio a bordo.

A investida dos rebeldes reforça o bloqueio que o Irã impõe no Estreito de Ormuz, por onde circulava 20% do petróleo mundial antes do conflito. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter impedido a passagem de três petroleiros na região.

Nas Filipinas, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, avaliou que os huthis foram "enganados" por Teerã ao atacarem a Arábia Saudita após meses de neutralidade. Diante do risco de desestabilização regional, Omã atua para reabrir canais diplomáticos entre os rebeldes e o governo saudita.