Dois acusados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) de executar o bancário Marcelo Henrique Prade, 46 anos, em maio de 2012, em Porto Alegre, foram condenados a 18 anos de prisão na noite de quinta-feira. A mandante do crime, a companheira da vítima, já havia sido condenada anteriormente em outro júri e aguarda em liberdade o julgamento de apelo.
De acordo com a promotora de Justiça Luciane Wingert, que atuou em plenário, a dupla foi condenada por homicídio qualificado por meio cruel, no caso asfixia por estrangulamento, recurso que dificultou a defesa da vítima, por vantagem econômica e mediante pagamento. A promotora já recorreu para aumentar a pena dos condenados. Um dos criminosos esteve foragido por 11 anos, mas foi preso e respondeu ao final do processo detido. O outro estava em liberdade.
Apesar da Justiça determinar o imediato cumprimento da pena, o réu que estava solto foi embora antes da leitura da sentença e, desta forma, foi expedido o mandado de prisão dele. O crime foi encomendado e planejado, há quase 13 anos, pela companheira da vítima, que, por ganância, tinha como objetivo ficar com direitos sucessórios de Marcelo, seguros, bens e pensão. Os executores, inclusive, receberam valores para matar o bancário.
“Hoje, a vítima faria 59 anos de idade, se não tivesse sido covarde e cruelmente assassinada, tendo como mandante a própria companheira. Após 13 anos, finalmente se fez justiça com a condenação dos responsáveis pelo gravíssimo crime que vitimou fatalmente Marcelo Henrique Prade. A justiça tardou, e muito, mas não falhou”, afirmou a promotora Luciane.
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O caso
Prade foi encontrado morto em casa, com mãos e pés amarrados, olhos e boca vendados, sinais de estrangulamento e enrolado em um tapete. Na ocasião foram levados pertences da casa da vítima, o que sugeriria, inicialmente, que o crime se tratava de latrocínio. A Polícia Civil, no entanto, descobriu que a noiva dele havia ordenado o assassinato, motivada pelo interesse nos bens do companheiro e também pelo valor do seguro de vida dele.
Conforme o delegado Gabriel Casanova, titular da Delegacia de Capturas, a família do foragido chegou a registrar o desaparecimento dele, no mesmo ano do crime, alegando que ele sofria de problemas psicológicos. “Ao contrário do que a família alegava, o indivíduo foi surpreendido no momento em que varria a frente da casa onde estava morando, totalmente são e consciente”, declarou o delegado, que coordenou a ação de captura do foragido, no ano passado.
Casanova destacou também que foi encontrado com o foragido um documento de identidade em nome de "Josué Barbosa da Silva", expedido no estado catarinense. "Possivelmente o foragido utilizava esse nome falso e pretendia se manter impune", concluiu.
A Polícia Civil prendeu em 2023, José Vilmar dos Santos Rocha, vulgo "Zé Barbudo", de 70 anos, apontado como um dos autores do homicídio. O foragido, natural de Tapes, foi capturado ontem no município de Itapema, em Santa Catarina.
As investigações revelaram que o idoso contratou Elisandro Rocha Castro da Silva para executar o crime. Ele também é tio da psicóloga Lisiane Rocha Menna Barrete, então noiva da vítima e condenada, em março de 2022, a 18 anos de reclusão, por ter sido a mandante. Contudo, a defesa da ré recorreu, requerendo novo julgamento, através do qual fossem todos os réus julgados no mesmo ato. A alegação foi acolhida pela Justiça e a condenação dela foi anulada. Desde então, Lisiane responde em liberdade.