Polícia

Grupo responsável por tiroteio após Dia das Crianças é alvo de operação na zona Sul de Porto Alegre

Suspeitos de ataque ao Condomínio Belize, na Restinga, foram presos

Operação mira grupo criminoso envolvido em ataque a tiros no bairro Restinga
Operação mira grupo criminoso envolvido em ataque a tiros no bairro Restinga Foto : PC / CP

O grupo apontado como responsável por um ataque em 13 de outubro ao Condomínio Belize, no bairro Restinga, na zona Sul de Porto Alegre, foi alvo de ação policial nesta quarta-feira. Os suspeitos do atentado desferiram cerca de 30 tiros contra os frequentadores de uma festa funk que acontecia no local. Pouco antes disso, no dia anterior, um evento alusivo ao Dia das Crianças havia ocorrido ali.

Batizada de Operação Fim de Jogo, a ofensiva somou os efetivos da 4ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e do 1º Batalhão de Polícia de Choque (1º BPChq) da Brigada Militar. Três suspeitos foram presos preventivamente. Houve o cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão.

Para o delegado titular da 4º DHPP, André Freitas, o crime foi motivado por disputas entre bandidos rivais por controle de pontos de tráfico na Restinga. Ele adicionou que a operação se enquadra no escopo do Protocolo Estadual das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios, utilizando a técnica da dissuasão focada, que determina pressão operacional contra as facções envolvidas em assassinatos.

"Essa ação foi a nossa resposta para um caso extremamente grave. Todos os envolvidos serão responsabilizados. Por meio da dissuasão focada, deixamos muito claro que não aceitaremos nenhum tipo de crime contra a vida em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul”, afirmou o delegado titular da 4ª DHPP, André Freitas.

Entenda o crime

Por volta das 1h15min, tripulantes de um Hyundai HB20 efetuaram disparos no Condomínio Belize, na rua 7197. Um homem foi baleado na perna, mas sobreviveu. Inicialmente, a BM chegou a classificar a ocorrência como “briga generalizada”.

De acordo com apuração policial, os atiradores integram o “Bonde do Flamengo”, que é liderado por um traficante de apelido Flamengo e que tem base na Vila da Pedreira, no bairro Cristal, na região da Vila Cruzeiro do Sul. Eles seriam ligados à facção V7.

Ainda conforme as forças policiais, essa quadrilha formou aliança com outros grupos, como no caso dos Primeira, que surgiu na área da 1ª Unidade da Restinga. Já o atentado no Condomínio Belize, visava atingir a gangue dos Mariana, que atua no entorno do residencial e que tem vínculos com a facção Os Manos.

Assassinato de motoboy

Uma semana antes do ocorrido no Condomínio Belize, o motoboy Allan dos Santos Lucas, de 21 anos, foi morto em outro ataque a tiros, na avenida Vereador Milton Pozzolo de Oliveira, próximo à Escola de Samba Estado Maior da Restinga. Ele não tinha antecedentes.

Além do jovem, também morreu um homem de 43 anos, que tinha registros por crimes diversos. Outras cinco pessoas ficaram feridas. O crime, segundo as autoridades, foi motivado por disputas entre os grupos citados anteriormente.

Cristiano Goulart, de 36 anos, tio de Allan, destacou que o sobrinho era conhecido por ser trabalhador e que pretendia economizar dinheiro para investir em um futuro ao lado da esposa. O casal tinha a mesma idade, 21 anos, e se relacionava desde os 16 anos.

"Allan não usava drogas nem se envolvia em confusão. Era um guri que só pensava em trabalhar. Ele se esforçou muito para comprar uma moto e para construir um lar com a esposa. Morreu de uma forma absurda e sem sentido, enquanto tentava fugir dos disparos. Não é possível que essa situação vá continuar igual. Pelo visto, a gente não pode mais sair na rua sem ter medo de morrer”, desabafou o familiar.

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