Começou a ser julgado, nesta quinta-feira, o réu pelo assassinato da líder social Débora Moraes, ocorrido no dia 12 de setembro de 2022, na zona Leste de Porto Alegre. A sessão ocorre na 4ª Vara do Júri da Capital, presidida pela juíza Cristiane Busatto Zardo. Os trabalhos devem se estender até o turno da noite.
O acusado é ex-companheiro da vítima. Ele está preso preventivamente na Penitenciária Estadual de Canoas (PECAN) e responde por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel (asfixia) e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de feminicídio, por razões da condição de sexo feminino da vítima.
Débora tinha 30 anos e era uma das lideranças do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Morta na casa onde morava, na Vila dos Herdeiros, na Capital. a ativista representava as famílias atingidas pela barragem da Lomba do Sabão. Ela deixou uma filha de 7 anos.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o réu teria enforcado a vítima com um fio ou corda. O motivo seria a não aceitação do término do relacionamento amoroso de 12 anos.
Antes do início da sessão, integrantes do MAB organizaram uma vigília em frente ao prédio do foro central. Os participantes do ato seguravam fotos da vítima e cartazes.
"Pedimos justiça por Débora. Estamos aqui para honrar a memória de luta e liderança comunitária da nossa companheira. Que este julgamento sirva para que outros crimes semelhantes não aconteçam”, disse Alexania Rossatto, integrante da coordenação nacional do MAB no Rio Grande do Sul.
VÍDEO l Começou a ser julgado, nesta quinta-feira, o réu pelo assassinato da líder social Débora Moraes, ocorrido em 2022, em Porto Alegre. Ela era uma das lideranças do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que fez vigília antes da sessão.
— Correio do Povo (@correio_dopovo) August 7, 2025
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Durante o julgamento, estão previstas as oitivas de dez testemunhas, sendo cinco indicadas pela acusação e cinco pela defesa, além do interrogatório do réu. Atuarão em plenário, pela acusação, promotora Luciana Cano Casarotto, e na assistência de acusação, os advogados Thales Zendroni Miola e Maurício Roman, e as advogadas Alice Hertzog Resadori e Marina Ramos Dermmam. A defesa será conduzida pelo advogado Bruno Baum Pereira e pelas Advogadas Robertha Machado Berte e Larissa Nathusa.
Nesta manhã, a primeira testemunha a ser ouvida foi a mãe da vítima. Ela relatou que a filha tinha medo do réu, caracterizado, na versão dela, como obsessivo e controlador.
"A Débora não comentava os problemas do relacionamento. Se tivesse nos dito, poderíamos ter evitado o que ocorreu, mas ela tinha medo que acontecesse algo de ruim comigo e com o irmão dela. Minha filha só queria viver em paz. Ele [réu] era obsessivo e não admitia que ela fosse embora”, disse a mãe da vítima.