Os seis feminicídios ocorridos na última sexta-feira deixam uma interrogação: se as vítimas tivessem medidas protetivas, ainda estariam vivas?
A resposta é difícil, apesar de ser grande a possibilidade de terem sido assassinadas. Primeiro, porque não há um policial militar para garantir a segurança de cada mulher que está sendo ameaçada pelo ex-companheiro.
Outro motivo é que um papel nunca impediu alguém de cometer um crime. Além disso, muitas acabam sucumbindo aos pedidos do ex e não concluem o processo, se tornando alvos fáceis para os antigos companheiros.
Outras resolvem atender ao chamado para conversar sobre a separação e caem em uma armadilha. Seja qual for o caso, muitas que morreram tinham registrado boletim de ocorrência na DP contra o companheiro e até tinham medida protetiva.
É raro encontrar um homem que respeite a decisão. Os agressores, mesmo sabendo que podem ir para o sistema prisional, teimam em se aproximar e ameaçar, ou ir direto ao assassinato. Por que esses homens insistem em não aceitar a separação?
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O machismo é um dos motivos. O orgulho ferido, não aceitando ter recebido um “cartão vermelho” da mulher, faz com que esses criminosos se transformem em feras, predadores, que a qualquer custo tentam arrebatar sua presa, a ex-mulher. Muitos, como não conseguem o seu intento, se vingam nos filhos, como é o caso do homem de São Gabriel que jogou o filho da ponte para se vingar da companheira que o havia deixado.
O que precisamos para que esse tipo de crime, um dos mais covardes que existe, deixe de assombrar muitas mulheres são políticas que efetivamente gerem segurança, como a Patrulha Maria da Penha, da Brigada Militar, que tem colhido bons resultados, entre outras ações da Polícia Civil. O registro on-line ajuda, agiliza, mas não defende. Manter esses homens presos também ajudaria.