Política

Crescem as negociações entre partidos por federações mirando 2026, saiba quais

Ferramenta jurídica passa a se tornar uma das principais armas para as eleições gerais do ano que vem

Ao menos 16 siglas estão ou negociam alianças
Ao menos 16 siglas estão ou negociam alianças Foto : Yasuyoshi Chiba / AFP

Quando os partidos políticos perceberam que as federações podem ser utilizada não apenas como estratégia de sobrevivência, mas como forma de potencializar acesso a recursos, desempenho eleitoral e poder no Congresso Nacional, esta ferramenta jurídica de alianças partidárias passaram a se tornar uma das principais armas para as eleições 2026.

Confira o especial completo "Federações se tornam uma das principais armas para eleições de 2026”

pelo menos 16 siglas que negociam acordos, que recém criaram novas ou que já participam de federações desde 2022. Confira abaixo a lista.

PP + União Brasil = União Progressista

O primeiro grande movimento partidário para as eleições de 2026 foi sacramentado em 29 de abril. Em evento que lotou o Salão Negro do Congresso Nacional, foi lançada a federação entre PP e União Brasil, batizada de União Progressista, que fez surgir a principal do Parlamento brasileiro.

A aliança fez surgir a maior bancada tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. Juntos, os partidos acumulam 110 deputados federais, 14 senadores, seis governadores, 1343 prefeitos, sendo sete capitais, e cerca de 12 mil vereadores.

O movimento destoa do que vinha sendo praticado desde que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou a possibilidade de federações, com partidos menores se unindo, como PSol e Rede, ou uma sigla se atrelando a outra, como PV e PCdoB fizeram com o PT.

Desta vez, dois grandes partidos, agremiações de peso tanto em Brasília quanto nos municípios, se uniram para formar uma aliança com poder para ser determinante nas decisões do Congresso e ter importância nos fatos que definirão os caminhos até a eleição de 2026, enquanto a centro-direita convive com muitas possibilidades e poucas certezas.

MDB + Republicanos

Na esteira da União Progressista, MDB e Republicanos ensaiam mais uma federação de partidos gigantes. Caso as articulações que estão em andamento se confirmem, a nova federação resultaria na maior bancada do Senado e na terceira da Câmara, com 15 senadores e 88 deputados federais.

Confirmada essa federação, quatro bancadas ficariam bastante à frente das demais na Câmara: PP e União têm 110 em exercício; o PL (sozinho) tem 89; MDB e Republicanos teriam 88; e PT, PCdoB e PV têm 79. A quinta maior bancada seria a do PSD, com 45 deputados. A sexta, o PDT com 17.

Além disso, uma federação contaria com um importante ativo eleitoral para a campanha de 2026: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep), é possível presidenciável e cotado para ser um herdeiro político de Jair Bolsonaro (PL) como candidato da direita na corrida ao Palácio do Planalto.

PRD + Solidariedade

Mais recente federação no jogo político, PRD e Solidariedade passarão a atuar em conjunto. O ato foi concretizado em 25 de junho, em um evento no Congresso Nacional. O bloco passará a atuar com 10 deputados na Câmara, cinco de cada agremiação.

A decisão provocou a ruptura do PRD gaúcho com a presidência nacional. O deputado estadual e até então presidente da sigla no Rio Grande do Sul, Elizandro Sabino, informou que a instância estadual não foi informada das tratativas e deixou o comando do partido no Estado, junto com todo o resto da executiva. Prefeitos e vereadores, segundo ele, também acompanharam a decisão.

PDT + PSB + Cidadania

Uma federação tripla está sendo negociada. PDT, PSB e Cidadania estão com conversas abertas para uma possível federação. O movimento parte do novo presidente nacional do PSB, o prefeito de Recife João Campos, que buscou as outras duas siglas e fez declarações públicas acenando aos possíveis parceiros.

Do trio, PSB e Cidadania estão mais próximos. Após ambos os partidos avalizarem em seus respectivos diretórios os presidentes nacionais do Cidadania, Comte Bittencourt, e do PSB, João Campos, prefeito de Recife, se encontraram em Brasília para deixar um acordo bem encaminhado.

Lideranças do PDT também se manifestaram publicamente de forma positiva, mas o tema ainda é tratado internamente. Já o Cidadania ainda depende de uma questão legal. Federado com o PSDB até 2026, estuda como encerrar a parceria sem sofrer sanções previstas em lei.

PSDB + Podemos

A porta está fechada para os tucanos. Desde o ano passado, o PSDB negociou com diversos partidos em busca de aliança, como PSD, MDB, Republicanos, Podemos e Solidariedade. Até o momento, nada deu certo.

Uma fusão/incorporação com o Podemos esteve próxima de acontecer. O diretório nacional chegou a votar a incorporação, pelo PSDB, do Podemos. A forma de divulgação, contudo, incomodou dirigentes do outro partido e as negociações esfriaram.

Renovação de federações há esquerda e ruptura na centro-direita

Três federações foram instituídas em 2022. Atualmente há conversas entre o PSol e a Rede para renovarem a aliança para um próximo ciclo de quatro anos. Da mesma forma, ocorre com PT, PCdoB e PV.

No espectro ideológico da centro-direita, PSDB e Cidadania já afirmaram que não darão continuidade à federação. Na prática política, ambos os partidos já atuam de forma independente. Tramita no Superior Tribunal Eleitoral (TSE) uma consulta para verificar as possibilidades de a federação ser encerrada antes do prazo. Caso não seja possível evitar sanções, a parceria seguirá até março de 2026, até ser juridicamente desfeita.