O plano de carreira para os médicos de Porto Alegre foi o destaque, na noite desta quinta-feira, de um painel com os candidatos à prefeitura da capital. O encontro foi promovido pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) e contou com a presença de Sebastião Melo (MDB), Maria do Rosário (PT) e Felipe Camozzato (Novo).
Por problemas de saúde, Juliana Brizola (PDT) não compareceu. O vice de Juliana, Thiago Duarte (União Brasil), médico, tentou um recurso para participar do debate no lugar da candidata, mas não foi aceito pela organização.
Mediado pelo presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, o debate teve como principal tema o plano de carreira para os médicos da Capital.
Antes das perguntas, Trindade comentou que a discussão sobre a saúde não é importante apenas para a cidade, mas para todo o Estado, ressaltando que "o Cremers irá fiscalizar o exercício de uma boa medicina”.
Sobre o plano de carreira, o candidato do Novo, Camozzato, defendeu que, com o corte de gastos, investindo na telemedicina, por exemplo, os recursos poderiam ser destinados para demais áreas.
Na mesma linha, Melo afirmou estar aberto para conversar, mas ressaltou que um novo plano exige mudanças orçamentárias.
Rosário se disse contrária à precarização das relações de trabalho e que começará o governo, se eleita, mantendo todos os contratos existentes.
Em pergunta de tema sorteado pelo presidente do conselho, Camozzato tratou sobre a saúde em momentos de calamidade. Usou como exemplo um projeto que diz ser da prefeitura de Joinville, em Santa Catarina, onde a prefeitura tem um corpo de profissionais voluntários aptos para atuarem em momentos críticos. "Uma medida interessante e criativa", falou.
O candidato à reeleição seguiu abordando o plano de carreira. "Tivemos que parar a recomposição salarial por causa das enchentes", lamentou, complementando que é preciso "diálogo e construção" e que "cada um tem que ceder um pouco" para o plano sair.
A petista definiu três pontos prioritários caso eleita: atenção à saúde básica, atenção à saúde especializada e efetividade. Ainda, Rosário criticou o atual prefeito ao falar que os sindicatos não são "raivosos".
Superlotação das unidades
Outro tema debatido foi sobre a situação de superlotação das unidades básicas dos bairros Vila Cruzeiro e Bom Jesus, além da unidade de pronto-atendimento Moacyr Scliar, na zona Norte da Capital.
Novamente, Camozzato defendeu que a telemedicina pode ser um caminho para aliviar a superlotação, além da descentralização da saúde e da ampliação da unidade da Vila Cruzeiro.
Melo argumentou que metade do atendimento da unidade Moacyr Scliar é de pacientes vindos da Região Metropolitana de Porto Alegre e cobrou agilidade do governo estadual.
Rosário criticou a ação da prefeitura durante as enchentes, afirmando que não houve plano de contingência. Cobrou agilidade e argumentou que as equipes médicas de saúde da família estão com uma demanda muito alta de atendimentos.
