Apesar de se ater a uma estratégia traçada desde o início da corrida eleitoral e entendendo ter acertado no tom da campanha, Sebastião Melo (MDB) deu uma guinada à inflexão política neste segundo turno. O candidato à reeleição tem ampliado agendas com lideranças regionais e nacionais e aumentado o tom na oposição ao PT.
No primeiro turno, Melo dividiu seu tempo entre ser prefeito e ser candidato. Aproveitava as brechas para fazer campanhas junto a candidatos a vereadores em suas bases eleitorais e realizava almoços com potenciais apoiadores. Nos finais de semana, apostou no corpo a corpo.
Neste segundo turno, o emedebista se aproximou mais de lideranças de peso. Na segunda-feira passada, recebeu a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em um evento com apoiadores ligados ao bolsonarismo. Na terça, realizou um ato com deputados estaduais de partidos da coligação. Na sexta, recebeu uma carta de apoio de prefeitos eleitos e reeleitos na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). Assim, busca chegar com força política à reta final.
“A gente busca apoio de todas as lideranças que apoiam nosso projeto. Elas agregam na campanha. Na reta final, especialmente, a RMPA vai participar conosco nas nossas atividades”, afirmou o coordenador de campanha de Melo, André Coronel.
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Ele também destacou que Melo se licenciará da prefeitura por uma semana, a partir de segunda-feira, para se dedicar exclusivamente à campanha. Neste período, o vice Ricardo Gomes (sem partido) comanda o Executivo.
“Não tem tantas outras cidades disputando eleição. Naturalmente, é um movimento que vem acontecendo. Na RMPA, há muitos prefeitos que foram eleitos e reeleitos. E as lideranças estaduais estavam envolvidas em suas bases e muitas das cidades não têm segundo turno. Agora, as atenções se voltam naturalmente para a Capital”, observa Luiz Otávio Prates, coordenador-geral de comunicação da campanha.
Outro movimento que se intensifica no segundo turno são críticas diretas ao PT. Enquanto no primeiro turno havia quatro candidatos que participavam dos debates, em um confronto direto, há o entendimento interno de que é natural que ambos os lados tentem destacar suas diferenças entre si.
Por parte da campanha de Melo, a inflexão ocorre mais nas redes sociais e durante os debates com Maria do Rosário. Algumas inserções de rádio também tem buscado destacar a ligação do PT com os escândalos do Mensalão e do Petrolão, casos que minaram a popularidade do partido durante os governos Lula I e II e Dilma Rousseff.
No entorno de Melo, apesar do cuidado para evitar o “clima de já ganhou”, há um entendimento de que a reeleição está bem encaminhada após um primeiro turno em que quase se encerrou a disputa. Agora, o objetivo confesso de importantes aliados do prefeito, principalmente daqueles que têm mais divergências com o PT e o espectro ideológico da esquerda, é a mobilização para garantir uma votação expressiva o suficiente para que o recado das urnas seja claro.