Eleições

‘Nós precisamos trazer os cruzeirenses de volta’, afirma prefeito eleito de Cruzeiro Sul

Cesar Dingola lamenta saída de moradores da cidade e defende necessidade de reassentar moradores

Cesar Dingola foi eleito para comandar Cruzeiro do Sul com 45,17% dos votos
Cesar Dingola foi eleito para comandar Cruzeiro do Sul com 45,17% dos votos Foto : Pedro Piegas

Eleito para administrar uma das cidades mais devastadas pelas enchentes de maio, Cesar Dingola (PP), comandará Cruzeiro do Sul pela segunda vez.

Assumindo a missão de reconstruir a cidade, o novo gestor detalhou, em entrevista ao Correio do Povo, os principais desafios no comando de uma cidade que sofreu tamanho estrago, de construção de moradia e atração, até qualificação de mão de obra para promover o desenvolvimento econômico da cidade.

A entrevista completa pode ser acessada no canal do Correio do Povo no Youtube ou através das principais plataformas de podcast.

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  • Quais são os principais desafios para Cruzeiro do Sul?

Vamos ter que começar a estruturar o município e desenvolver o trabalho social. Temos muitas famílias morando de favor, de aluguel, que perderam suas casas e não têm como retornar. Algumas são por determinação judicial. Precisamos ajustar isso, porque muitos saíram da cidade e estão morando em cidades vizinhas, também por não ter casas para alugar no município. Então precisamos trazer os cruzeirenses de volta. Ter essas pessoas que vão fazer girar o comércio, que também está sofrendo. O foco principal da nossa administração é trabalhar para assentar essas famílias novamente.

  • Como preparar a cidade para novos episódios desse tipo?

Nenhuma administração e nenhum município está preparado quando acontece pela primeira vez algo dessa magnitude. Ainda precisamos executar a limpeza da cidade e o assentamento das pessoas. Somos um município ribeirinho, margeado pelo rio Taquari, sempre tivemos enchentes e sempre vamos ter, então precisamos pensar em uma maneira de nos adequar. A cidade e o rio vão estar ali. Temos que mudar nossos hábitos e pensamentos como seres humanos. Temos que ter ações para que não se perca vidas, que consigamos evacuar, que as construções venham a ser feitas de maneira diferente. Em alguns pontos, vamos ter que ter construções um pouco mais reforçadas ou essas pessoas vão abandonar tudo e morar em outro lugar.

  • É possível fazer obras de contenção em Cruzeiro?

Algumas atitudes podem ser tomadas para enchentes de pequeno porte. Mas, quando tivermos um volume de água desse que aconteceu... tivemos locais que acumularam 1.020 mm de chuva. Não tem calha suficiente de rio que vá dar essa vazão.

  • O que foi feito até agora?

Pouquíssimo. Tivemos uma ajuda muito grande de municípios e pessoas que vieram se doar para limpar casas, ajudar as pessoas. Nesse sentido, é emocionante, porque foi uma coisa inexplicável. Mas, no sentido de moradias, de locação de pessoas, de limpeza da cidade, das vias, de reestruturação... Temos três pontes na nossa cidade que foram arrancadas (...) Ao menos uma já deveria estar em construção.

  • O que tem dificultado mais é a burocracia?

Em um processo desse, que tem uma demanda muito grande, a burocracia atrapalha muito. Com os decretos (de calamidade pública), flexibiliza para você fazer alguns contratos, algumas compras, uma obra um pouco mais rápida. Ajuda. Mas a falta de recurso é o que mais dificulta. A gente se preocupa de onde vai tirar o recurso para começar esses trabalhos e isso é assustador.

  • Como estão as contas para 2025? A prefeitura vai fechar o caixa nesse ano?

Eu conversei com o prefeito e eles vão fechar o caixa. Mas como teve a calamidade, se buscou muito recurso de financiamentos, e não se tinha uma reserva, um poder de investimento. Mas antes de maio, ele (atual prefeito) buscou recursos de financiamento para fazer investimentos na cidade, e agora, com a catástrofe, teve que buscar mais. Então, a perspectiva para os próximos cinco, seis anos não é boa. Vamos ter um reflexo do que aconteceu na economia.

  • Existe um sentimento de ir embora na população? Pode impactar na arrecadação?

Sim, as pessoas deixando o município de Cruzeiro do Sul acaba impactando. Já temos falta de mão de obra. Então, daqui a pouco, as empresas ficam com problema para operar, por falta de mão de obra, e buscam outro município que atenda essa demanda. Nossa dificuldade maior vai ser não ter recurso para fazer investimentos, para atrair novos investidores. Temos o grande desafio de fazer com que a cidade venha a se mostrar atrativa aos negócios.

  • A segurança climática será um novo fator para atração de investimento?

Estamos em uma posição geográfica privilegiada, Estamos à margem de uma rodovia que corta a RS-453, temos a RS-130. Nosso posicionamento é muito privilegiado para o escoamento de produção. E temos propriedades boas, altas, que não têm problema com cheia, de uma infraestrutura boa. São terras a serem desbravadas ainda. E eu penso que, após essa catástrofe, vai ter um crescimento ao redor dessas rodovias.

  • Quais são as propostas para atrair esse investidor e manter a população?

Qualificação da mão de obra. Estamos tentando ajustar dentro da área de educação para formar novas gerações com educação financeira. Queremos implantar isso dentro da Secretaria de Educação. Dentro dessa qualificação, a parte de infraestrutura tem que ser atraente para o investidor.

  • O que será prioridade na gestão, além da reconstrução?

Trabalhar muito forte na educação. Com isso, já temos um ganho em várias outras contas. A parte da saúde, por mais que você faça investimento, nunca é suficiente, então tem que trabalhar em uma parceria muito forte com o Estado, com o SUS. Para um município como o nosso, a parte de infraestrutura é o maior desafio, porque, para manter a educação e saúde com excelência, o poder de investimento do município fica muito pequeno. Mas nossas ações principais são montar uma boa estrutura na educação e na saúde. Com isso, a gente vai ajustando o restante que é a infraestrutura.

  • O que esperar de uma reforma administrativa?

A gente vai dar uma enxugada para poder ajustar algumas coisas. Mas eu sempre digo: “Se você precisa fazer investimento em uma empresa, você contrata um ou dois funcionários a mais, vai ter uma despesa a mais, mas vai produzir mais e ganhar mais”. No primeiro momento, vamos entender a situação e ajustar o caixa.

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