Um dia após voltar à Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, depois de 20 dias de afastamento, o vereador Sandro Fantinel (sem partido) deu a sua primeira declaração pública desde o dia 28 de fevereiro, quando proferiu falas preconceituosas aos baianos.
Durante o período de Grande Expediente, Fantinel falou por cerca de 10 minutos e iniciou o discurso agradecendo aos apoiadores presentes na Câmara e pedindo perdão aos colegas vereadores, aos baianos e nordestinos.
"Depois daquele dia fatídico, esse lugar me assusta. Quero reiterar do fundo do meu coração as minhas desculpas mais profundas a essa Casa, a todos os meus colegas, independente de partido, de ideologia, sei o que passaram por minha causa, me perdoem, do fundo do coração. Renovo também os meus mais sinceros pedidos de perdão ao povo baiano e nordestino, que tenho apreço, e pelas infelizes palavras que, por um lapso, proferi num triste momento da minha vida", alegou.
Em sua fala, o vereador destacou o seu projeto de arrecadação e distribuição de alimentos, afirmando que mais de mil cestas básicas foram distribuídas no último fim de semana. "A minha vida toda foi pautada em ajudar as pessoas", declarou, citando os trabalhos realizados. "Quarenta anos de trabalho honesto destruídos em dois dias. Um nome destruído, uma construção destruída pelo tribunal da internet que foi totalmente avassalador junto com parte da imprensa", complementou.
Na sequência, Sandro Fantinel disse que a esposa, o filho e os pais foram atacados pelos erros cometidos por ele. Antes de encerrar o pronunciamento e ser aplaudido por apoiadores presentes no plenário, pediu Justiça para o seu julgamento:
"Justiça é só o que estou pedindo. Quem nunca errou aqui dentro que me condene."
Veja o discurso completo:
Relembre o caso
No dia 28 de fevereiro, o vereador de Caxias do Sul Sandro Fantinel proferiu falas preconceituosas na tribuna em referência ao caso dos trabalhadores resgatados em situação análoga à escrevidão, em Bento Gonçalves.
Em função disso, foi aberto processo de cassação do mandato de Fantinel, que tem prazo de conclusão no dia 1º de junho. O vereador também foi indiciado pela Polícia Civil, no dia 13 de março, pelo crime de racismo, que prevê pena de dois a cinco anos de reclusão.
Na última terça-feira, Sandro retornou às atividades da Câmara, comparecendo na sessão ordinária após 20 dias de afastamento, mas não se manifestou.
*Supervisão Mauren Xavier