Política

Lula defende perda de mandato de parlamentares que ocuparam Congresso; oposição reage

Presidente criticou senadores e deputados que tentaram impedir os trabalhos no Congresso Nacional

Foto : Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o ministro Alexandre de Moraes, pediu que um senador aliado não assine o pedido de impeachment do ministro e afirmou que o magistrado está 'garantindo a democracia'. Lula também foi ao ataque contra senadores e deputados que tentaram impedir os trabalhos no Congresso Nacional, a quem chamou de 'traidores da pátria'.

Em nota, a oposição na Câmara dos Deputados reagiu a fala do presidente afirmando que a declaração “é mais uma prova cabal de seu perfil autoritário, truculento e incompatível com a democracia”. (Veja a nota completa abaixo.

As mesmas acusações foram feitas a Jair Bolsonaro e seu filho, Eduardo Bolsonaro. As declarações foram dadas em evento de anúncio de investimentos federais no Acre.

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“E você (Sergio) Petecão (PSD-AC), por favor, não assine pedido de impeachment do Alexandre de Moraes, pois ele está garantindo a democracia. Quem deveria ter o impeachment são esses deputados e senadores que ficam tentando fazer greve para não permitir que funcione a Câmara e o Senado. Verdadeiros traidores da pátria”, disse Lula.

Lula também afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve “aprender a respeitar a soberania deste País” e chamou o ex-presidente Jair Bolsonaro de “chucro e ignorante”, além de traidor.

Oposição reage

A oposição na Câmara dos Deputados divulgou uma nota após as declarações do presidente. No texto, os parlamentaram afirmam que Lula “pretende criminalizar um ato político legítimo, realizado em um momento gravíssimo da vida nacional, em reação direta à denúncia da Lava Toga.”

Além disso, ressaltam não se intimidarão com ameaças ou tentativas de cassação.

Veja a nota completa

“A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendendo a cassação do mandato de parlamentares da Oposição que ocuparam as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, é mais uma prova cabal de seu perfil autoritário, truculento e incompatível com a democracia.

Lula, que já não esconde seu projeto de poder hegemônico, pretende criminalizar um ato político legítimo, realizado em um momento gravíssimo da vida nacional, em reação direta à denúncia da Lava Toga. Esta revelou provas contundentes de que o ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF, montou um gabinete paralelo para perseguir opositores políticos, atropelando a Constituição, fabricando acusações e rasgando direitos fundamentais.

O que Lula chama de “ato passível de cassação” é, na verdade, um instrumento de resistência democrática, usado inúmeras vezes pela própria esquerda. O PT, o PSOL e outros partidos aliados já ocuparam as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado em diversas ocasiões — no impeachment de Dilma Rousseff, para protestar contra a prisão de Lula, contra a Reforma da Previdência e contra a Reforma Trabalhista. Em todos esses episódios, a ocupação foi tratada pela imprensa e pelos próprios petistas como um ato político legítimo, sem qualquer ameaça de cassação de mandato.

É preciso lembrar que o próprio PT, no passado, foi contra a indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal, alegando que ele não tinha condições de ocupar o cargo. Hoje, no entanto, Lula e o PT se tornaram aliados de Moraes, unidos em um projeto de destruição da oposição, censura à imprensa livre e perseguição a todos que se atrevam a desafiar o regime que tentam impor ao Brasil.

Chega a ser irônico — e profundamente revelador — que Lula, que se beneficiou dessa tolerância institucional quando esteve na oposição, agora proponha punir parlamentares que cumprem o papel de defender o povo contra abusos de poder e contra o avanço de um projeto autoritário que se alinha ao que há de pior na esquerda nacional e internacional: regimes que silenciam vozes dissidentes, perseguem adversários e manipulam instituições para perpetuar-se no poder.

A Oposição na Câmara reafirma que não se intimidará com ameaças, intimidações ou tentativas de cassação. Continuaremos firmes, defendendo a Constituição, o Estado Democrático de Direito e o direito sagrado do povo brasileiro de ter representantes que não se curvem diante de abusos. Lula pode querer uma ditadura sem oposição — mas encontrará aqui um bloco coeso, combativo e inabalável na defesa da liberdade.

Brasília, 8 de agosto de 2025

Oposição na Câmara dos Deputados”