Política

Na reta final, CPI da Pousada Garoa entra em fase técnica

Vereadores devem ouvir os três indiciados pelo caso ainda este mês

Comissão investiga incêndio em pousada, há um ano, que deixou 11 mortos
Comissão investiga incêndio em pousada, há um ano, que deixou 11 mortos Foto : Pedro Piegas / CP Memória

Faltando pouco mais de um mês para o fim dos trabalhos na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pousada Garoa, os vereadores devem entrar em uma fase de análise mais técnica.

Após ouvir os depoimentos de sobreviventes e pessoas ligadas à pousada, como um ex-funcionário e um ex-secretário da Capital, a oitiva desta segunda-feira ocorre com Lúcio Junes da Silva, comandante do 1º Batalhão dos Bombeiros; e Joel Dittberner, tenente-coronel do Corpo de Bombeiros que atuou no incêndio que deixou 11 pessoas em situação de vulnerabilidade social mortas e 15 feridas. Na mesma sessão o grupo também deve ouvir o diretor do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Gilberto Barrichello.

Na última segunda-feira, os parlamentares aprovaram requerimentos solicitando toda a documentação entre a Pousada Garoa e a prefeitura, como o termo de referência, o edital e o processo licitatório, os contratos firmados, as notas de empenho, as ordens de pagamento e comprovantes, os relatórios de fiscalização, correspondências e comunicações formais relativas ao contrato. Além do Laudo Técnico de Inspeção Predial (LTIP) das unidades da avenida Farrapos que foram incendiadas.

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Com isso, a ideia é se debruçar sobre este material, que deve ser complementado pelas oitivas dos três indiciados pela Polícia Civil no caso: o dono da Pousada Garoa, André Kologeski da Silva; o ex-diretor da FASC e atual Diretor-Geral do Desenvolvimento Social de Porto Alegre, Cristiano Roratto; e a servidora Patrícia Mônaco Schüler, responsável pela fiscalização do contrato, para elaboração do relatório final. O depoimento dos três está previsto, segundo plano de trabalho, para o dia 19 deste mês e, conforme o presidente da comissão, vereador Pedro Ruas (PSol), não será necessário estender os trabalhos da CPI, com final previsto para metade de junho.

Para o presidente, apesar da ausência de algumas testemunhas ao longo do processo, muito se foi recolhido e algumas conclusões já podem ser tomadas através do trabalho realizado até o momento. Entre elas a de que as fiscalizações da prefeitura nas unidades da Garoa eram realizadas com aviso prévio, e “uma fiscalização avisada é inútil”, lamentou ele. A constatação é embasada, em parte, no depoimento do ex-secretário Léo Voigt, que comandava a pasta de Desenvolvimento Social, responsável pela FASC – que gerenciava o contrato com as pousadas.

A outra falha, essa relatada pelo ex-funcionário Bruno Morais e alguns moradores, é de que só havia um extintor de incêndio. “Essas pousadas foram contratadas por um serviço específico que não prestaram. Uma das obrigações do governo era a fiscalização do local, que nós já percebemos que não cumpriram”, finalizou Ruas. A próxima sessão da CPI que investiga o incêndio da Pousada Garoa é a partir das 9h30min, no plenário Otávio Rocha.