Após o episódio do deputado Thiago Duarte (União Brasil), um novo impasse envolvendo um suplente pode atrapalhar os planos do governador Eduardo Leite (PSD) para a Secretaria Estadual da Mulher. Nadine Anflor (PSDB), principal cotada para assumir a pasta, deve permanecer na Assembleia Legislativa.
O PSDB de Nadine está federado até o ano que vem com o Cidadania. Se, na prática, essa aliança não existe mais desde o racha nas eleições municipais de 2024, juridicamente ainda vale. E o primeiro suplente da bancada é Jessé Sangalli, que migrou para o PL e foi o vereador mais votado em Porto Alegre no ano passado.
Uma situação similar ocorreu recentemente. O ingresso de Thiago Duarte no secretariado de Leite estava acertado, mas o União Brasil perderia uma de suas três cadeiras no Parlamento caso isso ocorresse. O partido tentou garantir a vaga tanto através do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) quanto do próprio Legislativo. Não deu. Ambos estabeleceram que a cadeira seria destinada a Bárbara Penna, que concorreu pelo União em 2022, mas migrou para o Podemos para se candidatar em 2024. Assim, para não prejudicar sua legenda, Thiago se manteve como deputado.
A reportagem procurou Jessé, mas ele afirmou que nada está decidido. Disse que, caso seja convocado pelo Parlamento gaúcho, irá se reunir com o partido para formar consensualmente uma posição para se tornar ou não deputado. Vale ressaltar que ele teria de abrir mão do mandato na Câmara, que vai até o final de 2028.
Está estabelecido o impasse. Dificilmente o governador vai aceitar ceder uma cadeira da sua base aliada para o ingresso de um deputado suplente do PL, um partido da oposição.
Há outro fator que atrapalha a entrada de Nadine na secretaria. Ela irá concorrer nas eleições do ano que vem. Portanto, precisaria se desincompatibilizar da função do governo em março de 2026 e, assim, teria apenas seis meses de trabalho como secretária.
Esses dois fatores afastam a possibilidade de Nadine tornar-se secretária da Mulher. As opções estão escassas. Outro nome cotado seria o de Paula Mascarenhas, secretária extraordinária de Relações Institucionais e presidente estadual do PSDB. Mas, assim, ela também tem ambições de concorrer no ano que vem e precisará se desincompatibilizar em março.
A tendência, nos bastidores, pela simbologia da pasta, que foi criada após pressão das deputadas estaduais em função das 10 mulheres que perderam a vida durante o feriadão da Páscoa, é de que um nome técnico, ligado à luta contra a violência contra a mulher, acabe sendo escolhido para o comandar a pasta.