Política

Plano Diretor: Juliana de Souza traz justiça climática para os holofotes

Vereadora acredita que proposta do Executivo atende apenas aos interesses da especulação imobiliária; segundo ela, texto desconsidera a emergência climática

Petista advoga em prol de um planejamento urbano inclusivo e sustentável
Petista advoga em prol de um planejamento urbano inclusivo e sustentável Foto : Júlia Urias/CMPA/CP

Legislando em nome do PT na Câmara de Porto Alegre, Juliana de Souza é uma das 14 integrantes da comissão especial do Plano Diretor. A vereadora – que também faz parte da oposição – assume uma postura crítica em relação à atual gestão e o seu projeto para a cidade. Dita ecossocialista, ela defende que noções de justiça climática norteiem o debate na cidade.

A agremiação é responsável por revisar e trazer contribuições ao projeto do Executivo, que guiará o planejamento estratégico de Porto Alegre pelos próximos dez anos. Na prática, isso significa que as decisões tomadas pelos parlamentares impactarão o desenvolvimento da cidade a longo prazo.

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“É difícil encontrar alguma coisa boa nesse projeto”, afirmou Juliana, com base no documento inicial apresentado pelo Executivo. De acordo com ela, a proposta foca exclusivamente no crescimento econômico em detrimento da adoção de práticas inclusivas e sustentáveis. “É um plano que representa os interesses da especulação imobiliária. É ela que mais tem ganhado com as decisões da atual gestão”, alegou a vereadora, questionando a pretensão de verticalizar a cidade.

A parlamentar coloca em cheque os métodos e impactos previstos pelo plano: “além de desconsiderar estudos, o projeto não assegura uma redução nos custo das moradias”. Juliana entende que, apesar da proposta debruçar-se sobre o adensamento da cidade, programas habitacionais para as classes menos favorecidas não são compreendidos.

“Existem mais de 80 mil pessoas vivendo em áreas de risco. Porque não aguardamos o resultado do mapeamento dessas áreas?”, provocou. Para além disso, entende que o processo está sendo guiado pelo “negacionismo climático”, o que coloca a população em risco.

Na avaliação de Juliana, somente a partir da incorporação dos estudos em curso será possível elaborar um planejamento adequado para lidar com a emergência climática. “Deveríamos estar discutindo a garantia da preservação ambiental, a redução da ocupação urbana em regiões de vulnerabilidade e a construção de soluções baseadas na natureza”.

*Supervisão Mauren Xavier