Política

Senado começa a discutir reforma na Lei de Execução Penal

Coordenador dos debates afirma que sistema de aplicação das normas precisa ser dinamizado

A Lei de Execução Penal, que define o cumprimento da pena e os meios de reintegração do detento à sociedade, está na pauta para ser reformada pelo Congresso Nacional. Durante dois meses uma comissão de sete juristas, instalada nesta quinta-feira no Senado, vai trabalhar na elaboração de um anteprojeto para aperfeiçoar a norma. Para o coordenador do grupo, o ministro Sidnei Beneti do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o principal desafio é dinamizar o sistema de aplicação da lei, dando agilidade à justiça e garantindo os direitos dos condenados e sentenciados.

O ministro ressaltou que a lei em vigor “cria uma burocratização" na execução penal. “Há varas de execução com mais de 100 [processos] de maneira que isso gera alguns outros problemas, entre eles, a impessoalização do tratamento do caso”, analisou. O ministro destacou a necessidade de o Brasil estudar novas formas de penas alternativas, que sejam efetivamente cumpridas. Ele citou, como exemplo, a prestação de serviços à comunidade. “Algumas duram muito tempo e obrigar alguém a cumprir algo por muito tempo é difícil. Acaba se desgastando”, observou.

Beneti salientou que os mutirões carcerários no Brasil não solucionam os problemas. “É preciso que o sistema ande naturalmente sem necessitar de mutirões. A necessidade de mutirão não pode se institucionalizar”, definiu

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), destacou que o Brasil tem uma das maiores populações carcerárias do mundo, com cerca de 500 mil presos e a mesma quantidade de mandados de prisão sem cumprimento. Ele defendeu a implementação de mais ações de educação para os presos para evitar a reincidência no crime. Segundo Renan, de cada dez detentos que deixam as cadeias, sete retornam aos presídios.

“O que acontece no cárcere no Brasil é um horror. É algo que precisa ser enfrentado do ponto de vista da execução da pena, do castigo que o Estado cobra de quem comete o crime e até mesmo da pena alternativa, da sua fiscalização. Muito precisa ser feito”, reconheceu. Também integram a comissão os juristas Carlos Pessoa de Aquino, Denis de Oliveira Praça, Edemundo Dias de Oliveira Filho, Gamil Foppel, Maria Tereza Uille Gomes e Marcellus Ugiette.


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