A Câmara de Porto Alegre sediará, nesta terça-feira (7), uma sessão solene em homenagem ao legado do ex-presidente brasileiro João Goulart no cinquentenário de sua morte. O evento, organizado pelo vereador Pedro Ruas (PSol), acontecerá às 18h30min, no Plenário Ana Terra.
“João Goulart foi um líder trabalhista extraordinário”, aponta Ruas. “Um homem que buscava, acima de tudo, o bem-estar da população, e particularmente das camadas mais humildes da população. As reformas de base pelas quais ele lutava eram em benefício do povo mais pobre. Jango foi derrubado pelas elites brasileiras, aliadas a interesses norte-americanos, exatamente pelas suas virtudes, pelo seu compromisso com o povo. Dá para dizer que ele caiu pelas virtudes e não pelos defeitos.”
A programação da homenagem conta com uma palestra do escritor, tradutor, jornalista e radialista Juremir Machado da Silva. O professor universitário é autor dos livros Jango: A Vida e a Morte no Exílio (2018) e A Memória e o Guardião (2020).
Para o vereador, o objetivo do evento é “mostrar às elites brasileiras que há setores do Brasil que valorizam a figura de João Goulart, que sabem que ele foi golpeado, que sabem que ele foi vítima da Operação Condor, e que querem que aquilo que ele pregava continue sendo verdade, continue valendo, porque nada daquilo aconteceu ainda.”
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Quem foi João Goulart?
João Belchior Marques Goulart, mais conhecido como “Jango”, nasceu em 1° de março de 1919, no município de São Borja, no Rio Grande do Sul. Bacharel na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais de Porto Alegre, ele iniciou sua trajetória política em 1946, quando foi um dos principais articuladores para a fundação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em sua cidade natal.
Na sequência, Jango atuou na coordenação da campanha presidencial de Getúlio Vargas em 1950. Ao longo dos anos, o gaúcho assumiu posições de destaque no cenário político. Foi deputado estadual e federal, assim como secretário do Interior e Justiça do Rio Grande do Sul e ministro do Trabalho.
Entre 1956 e 1960, foi vice-presidente da República ao lado de Juscelino Kubitscheck. Durante o período também presidiu o Senado. Em janeiro de 1961, assumiu a vice-presidência do Brasil novamente, desta vez, ao lado de Jânio Quadros, que renunciou em agosto do mesmo ano. Com isso, Jango assumiu o comando do governo federal até 1964, quando foi destituído pelo golpe militar. Seu mandato foi marcado por tensões e crises.
Ele se exilou no Uruguai e não retornou ao Brasil até a sua morte, em 6 de dezembro de 1976.
*Sob a supervisão do jornalista Thiago Padilha