Política

STF retoma julgamento sobre “revisão da vida toda” do INSS

Já há quatro votos para anular a tese que era favorável aos aposentados

Supremo julga recursos na ação original para adequar o novo entendimento
Supremo julga recursos na ação original para adequar o novo entendimento Foto : Antônio Cruz/ Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta sexta-feira, 14, o julgamento que deve selar o enterro da 'revisão da vida toda' do INSS. Os ministros analisam se cancelam a tese aprovada em dezembro de 2022 diante da mudança de posição da Corte em 2024.

Já há quatro votos para anular a tese que era favorável aos aposentados e liberar os processos que estão suspensos por decisão do relator, Alexandre de Moraes. A tese da 'revisão da vida toda' buscava incluir, no cálculo dos benefícios do INSS, os salários anteriores a julho de 1994, quando foi implantado o Plano Real.

O Supremo foi favorável à revisão em dezembro de 2022. Contudo, em abril de 2024, afastou a aplicação da tese ao considerar, no julgamento de outra ação, que a regra que conta os salários a partir de 1994 é obrigatória e os aposentados não podem escolher o cálculo que lhes for mais favorável.

Como a decisão que anulou a 'revisão da vida toda' foi tomada em outro processo, agora o Supremo julga recursos na ação original para adequar o novo entendimento. Em seu voto, Moraes considerou que a tese foi 'superada' e votou para cancelá-la e revogar a suspensão dos processos sobre o tema.

Até o momento, ele foi seguido pelos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso. Há dois votos divergentes. Moraes também votou para adequar a tese à decisão mais recente do tribunal sobre a devolução de benefícios. Em abril, o Supremo já decidiu, no âmbito da outra ação, que os aposentados que receberam valores a mais em decorrência de decisões favoráveis à 'revisão da vida toda' até 5 de abril de 2024 não deverão devolver os benefícios ao INSS.

Os honorários e custas judiciais das ações até aquela data também não poderão ser cobradas dos beneficiários. Até 2024, muitos aposentados conseguiram decisões favoráveis para revisar o benefício. A Corte considerou que eles não podem ser prejudicados porque foram à Justiça com base em entendimento do Supremo que vigorava na época. De acordo com dados citados no julgamento, há cerca de 140 mil ações tramitando no Judiciário sobre o tema.

O caso tem grande relevância para a União, que estimou impacto de até R$ 480 bilhões para as contas públicas caso o Supremo determinasse a revisão dos benefícios. O julgamento é realizado no plenário virtual que começa nesta sexta-feira, 14, e vai até o dia 25 de novembro.

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