Política

TJRS lança pacote de atualizações tecnológicas com uso da inteligência artificial

Novas ferramentas devem auxiliar na celeridade do andamento dos processos judiciais. Lançamento está marcado para 12 de junho

Avanços tecnológicos serão um dos legados do desembargados Alberto Delgado Neto na presidência do TJRS
Avanços tecnológicos serão um dos legados do desembargados Alberto Delgado Neto na presidência do TJRS Foto : Ricardo Giusti

Com objetivo de promover celeridade no andamento dos processos judiciais, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) deve lançar em 12 de junho um pacote de atualizações com uso da inteligência artificial que irá auxiliar magistrados e assessorias.

A ideia é de que a nova plataforma de IA, denominada GAIA, produza sugestões e pesquisas imediatas relativas a decisões que ocorreram em outros estados para auxiliar em casos que chegam ao Judiciário gaúcho.

“Com isso, esperamos acelerar muito a entrega da nossa prestação judicial para a sociedade. E isso é uma evolução contínua, porque daqui a seis meses a gente não sabe o que virá da tecnologia, mas estamos usando tudo dentro dos recursos disponíveis, com grandes dificuldades, porque o nosso estado está em regime de recuperação fiscal, mas sem deixar jamais de focar na população”, afirmou o presidente do TJRS, desembargador Alberto Delgado Neto, em almoço realizado na sede da Record Guaíba, onde foi recebido pelos presidentes da TV, Gustavo Paulus; e do Correio do Povo, Marcelo Dantas, e pelo diretor da Rádio Guaíba; Claudinei Girotti.

O presidente dos conselhos de Inovação e Tecnologia e de Comunicação Social, desembargador Antonio Vinicius Amaro da Silveira, garantiu que a ferramenta vem sendo elaborada com cuidado, a fim de garantir fidedignidade dos dados.

“Nosso cuidado maior é buscar a efetivação de uma ferramenta corporativa que seja utilizada por nossos servidores e magistrados, mas se servindo de dados buscados na fonte, ou seja, no acervo do próprio julgador, de modo que a ferramenta irá buscar a sugestão de decisão com relação a um determinado caso mas levando em consideração os precedentes do próprio magistrado”, explicou.

Desembargadora Lusmary Fátima Turelly da Silva (3ª vice-presidente do TJRS); Gustavo Paulus, presidente da TV Record Guaíba; presidente do TJRS, Alberto Delgado Neto; Claudinei Girotti, diretor da Rádio Guaíba; desembargador Antonio Vinicius Amaro da Silveira; Marcelo Dantas, diretor-presidente do Correio do Povo; e Ícaro Carvalho de Bem Osório (1º vice-presidente) | Foto: Ricardo Giusti

Tecnologia como legado

Esse é um dos ‘legados’ que Delgado Neto pretende deixar após o fim da sua gestão, no final do ano, no comando do Judiciário gaúcho e uma das marcas da atuação do Judiciário após um ano da calamidade.

Isso porque, quando a maior enchente que já atingiu a Capital e o Estado invadiu o prédio do TJRS e os centros de processamento de dados, os servidores do tribunal realizaram um esforço hercúleo para manter a Justiça funcionando, transferindo para a ‘Nuvem’ todo o sistema de processo eletrônico do TJRS. Foram necessários 200 terabytes para armazenar tudo, mas nenhum dos 10 milhões de processos foi perdido. “Dizem as empresas que foi a maior digitalização do mundo”, contou o presidente.

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A façanha foi tanta que chamou atenção internacional. A Universidade do Missouri convidou o TJRS para compartilhar a experiência e, na última semana, o reitor da instituição, Garnett S. Stokes, esteve em solo gaúcho para conhecer in loco o local e ouvir os servidores sobre como os processos foram feitos, relatou Delgado Neto.

“Eu acho que é um (projeto de) continuidade, porque há projetos de curto, médio e longo prazos. Mas existem projetos estruturais, onde as linhas de governança projetam por vários anos aquilo que deve ser entregue de acordo com o nosso planejamento estratégico, e isso estamos conseguindo realizar após um longo período e estou muito satisfeito com o que vem sendo posto e com o que vem sendo entregue”, comemorou o desembargador.

Outro fruto da sua gestão foi a instalação, no final do passado, da Vara Regional do Meio Ambiental. A jurisdição especializada já conta com mais de 4 mil processos (sendo 3.600 já julgados) e atende em 35 comarcas no Rio Grande do Sul, com expectativa de ampliação para todo o Estado. A repartição surge com o objetivo de promover um atendimento mais especializado no que se refere a questões ambientais, "algo que hoje precisa ser enfrentado com tecnicismo e com ciência no nosso país", finalizou o presidente.