Abate de fêmeas segue em alta no Rio Grande do Sul

Abate de fêmeas segue em alta no Rio Grande do Sul

Pelo quarto ano consecutivo, número de vacas abatidas nos frigoríficos gaúchos supera o de machos

Cíntia Marchi

Em 2020, até novembro, foram destinadas ao abate 1,027 milhão de fêmeas

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O Rio Grande do Sul irá abater, pelo quarto ano consecutivo, mais fêmeas bovinas do que machos. Em 2020, até novembro, foram destinadas ao abate 1,027 milhão de fêmeas, enquanto que o número de machos foi de 928,9 mil, segundo informações da Seção de Epidemiologia e Estatística (SEE) da Secretaria da Agricultura. O número é maior neste ano do que no mesmo período de 2019, quando 1,006 milhão de fêmeas foram abatidas. Segundo o levantamento, 70% das vacas abatidas neste ano tinham acima de 3 anos, mesmo percentual de 2019.

O professor das faculdades de Agronomia e Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), José Fernando Piva Lobato, comenta que é natural o abate de fêmeas, seja porque os produtores estão fazendo seleção do rebanho, descartando as que não têm bom padrão comercial, seja porque precisam vender parte dos animais para se capitalizar. Diz ainda não se assustar com os dados, em termos de produtividade do rebanho gaúcho, caso estiverem sendo eliminadas as novilhas e vacas de menor qualidade. “A reprodução precisa ser feita só pelas melhores”, sustenta.

Para Lobato, o padrão mais alto das vacas reprodutoras deve ser uma meta dos produtores para que se aumentem os indicadores de terneiros desmamados. Segundo Lobato, o Rio Grande do Sul tem hoje, em média, a cada 100 vacas, de 55 a 60 terneiros desmamados, quando o ideal seria ter, em média, 80. “Tem produtores que conseguem ultrapassar este indicador de 80% de desmame, mostrando que é possível fazer”, observa. “Mas está nos faltando maior eficiência no rebanho de cria”, acrescenta.
 


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