Rural

Abate de suínos atinge recorde no segundo trimestre

Substituição de proteína bovina, queda de exportações para China e ganhos de eficiência explicam maior oferta no mercado interno

O abate de suínos no Brasil totalizou 14,07 milhões de cabeças de abril a junho deste ano, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Divulgado nesta terça-feira, o número é um recorde na série histórica do levantamento iniciada em 1997 e representa um aumento de 7,2% na comparação com o mesmo período de 2021. Em relação ao primeiro trimestre de 2022, o avanço foi de 3%.

O supervisor de indicadores pecuários do IBGE, Bernardo Viscardi, destaca que a proteína suína é um substituto da carne bovina, cujo consumo está em declínio desde 2020 por conta da alta dos preços. Fatores externos também explicam por que cerca de 81,3% da produção suína ficou no mercado interno no período pesquisado. “Nos últimos anos, as exportações estavam em alta, principalmente para a China. Após o controle da peste suína africana e a reposição do rebanho chinês, as exportações sofreram considerável redução”, diz Vicardi. Os embarques para outros destinos, acrescenta o supervisor, não foram suficientes para compensar a queda da demanda chinesa.

Entre as 25 unidades da Federação participantes da pesquisa, Santa Catarina continua liderando o abate de suínos, com 28,4% do total nacional. Em segundo e terceiro lugares, estão Paraná (20,9%) e Rio Grande do Sul (17,1%), respectivamente. Segundo o presidente da Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, os números informados pelo IBGE refletem um ciclo de investimentos iniciado pelos produtores no país em 2020, com ampliação de granjas, aumento de plantéis e ganhos de eficiência. “O crescimento em volume de produção vem se dando pelo aumento da produtividade e do peso de abate. Hoje, os suínos já chegam nos frigoríficos com mais de 130, 135 quilos de peso médio, mantendo a mesma qualidade de carne”, destaca Folador.

Para o presidente da Acsurs, a carne suína tende a entrar cada vez mais na dieta do brasileiro, mas o preço competitivo em relação à proteína bovina não é o único fator de incentivo. “Há todo um trabalho de marketing para aumento de consumo por parte da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), junto com as pequenas e médias redes de atacado e varejo brasileiras”, observa Folador.

Em agosto, as exportações brasileiras de carne suína (produtos in natura e processados) atingiram 116,3 mil toneladas, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume foi o maior já embarcado pela suinocultura brasileira em um único mês e supera em 27,7% o resultado obtido em 2021. Em receita, os embarques de agosto alcançaram US$ 269 milhões, número 28,7% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.

No acumulado de janeiro a agosto, as vendas externas de carne suína totalizaram 722,8 mil toneladas, volume 4,5% inferior ao do mesmo período de 2021. A receita acumulada neste ano foi de US$ 1,607 bilhão e ficou 11% abaixo da verificada nos primeiros oito meses do no ano passado.