Rural

Acordo Mercosul-UE fortalece segurança alimentar, segundo Abia

Projeções setoriais indicam incrementos até R$ 3,5 bilhões por ano na indústria de alimentos

Há potencial de 3 mil e 30 mil empregos diretos e indiretos ao longo do tempo
Há potencial de 3 mil e 30 mil empregos diretos e indiretos ao longo do tempo Foto : Freepik / CP

A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) avalia o Acordo Mercosul-União Europeia como um instrumento estratégico para o fortalecimento da segurança alimentar, da previsibilidade comercial e da capacidade de agregação de valor das cadeias produtivas. Seu valor econômico central reside menos na redução tarifária isolada e mais na previsibilidade institucional, na estabilidade das regras de acesso a mercado e na mitigação de incertezas regulatórias, segundo a entidade, que observa que esses são fatores decisivos para a atração de investimentos produtivos de médio e longo prazo.

O setor observa que o acordo consolida o acesso a mercados de elevado poder aquisitivo e alta densidade regulatória, com efeitos diretos sobre a sofisticação da pauta exportadora, a diferenciação de produtos e a inserção da indústria brasileira em segmentos de maior valor agregado. “Esses efeitos ganham relevância em um contexto global marcado pela elevação de exigências sanitárias, técnicas e ambientais, no qual a capacidade de coordenação de cadeias produtivas complexas se torna um diferencial competitivo essencial.”

Projeções setoriais indicam que, uma vez implementado, o acordo poderá elevar as exportações brasileiras de alimentos industrializados para a União Europeia entre 1% e 2% no curto prazo, entre 3% e 5% no médio prazo e entre 6% e 8% no longo prazo. Esses percentuais correspondem a incrementos anuais estimados entre R$ 400 milhões e R$ 3,5 bilhões, com potencial de sustentar entre 3 mil e 30 mil empregos diretos e indiretos ao longo do tempo, associados a investimentos, ganhos de produtividade e maior agregação de valor.

“Em um cenário internacional caracterizado por instabilidade geopolítica, choques climáticos, fragmentação do comércio e uso crescente de barreiras comerciais, o acordo amplia a resiliência dos sistemas de abastecimento ao consolidar regras estáveis de acesso a um dos mercados consumidores mais exigentes do mundo. Ao mesmo tempo, contribui para a atração de investimentos produtivos, para a organização das cadeias e para o reposicionamento estratégico do Brasil no comércio internacional de alimentos industrializados”, disse a entidade em nota.

Para a Abia, o tratado amplia oportunidades de internacionalização e estimula investimentos em segmentos associados à bioeconomia, a ingredientes alimentares e a alimentos processados de maior valor agregado, além de criar um ambiente mais favorável à inovação industrial. Com isso, contribui para consolidar o Brasil como fornecedor confiável de alimentos industrializados, produzidos sob elevados padrões de qualidade, segurança e sustentabilidade.

Segmento

Em 2024, a indústria brasileira de alimentos registrou faturamento aproximado de R$ 1,27 trilhão, equivalente a 10,8% do Produto Interno Bruto, mantendo-se como o maior segmento da indústria de transformação. Emprega diretamente cerca de 2,1 milhões de trabalhadores formais, processa aproximadamente 62% da produção agropecuária brasileira e, desde 2022, é o maior exportador mundial de alimentos industrializados em volume. Em 2025, as exportações do setor alcançaram US$ 66,8 bilhões, dos quais cerca de US$ 8,7 bilhões tiveram como destino a União Europeia, o que reforça a relevância estratégica do acordo para o setor.