Rural

Adama inaugura unidade fabril em Taquari

Planta será focada na produção de ingrediente ativo usado em fungicidas para soja e algodão e busca reduzir dependência de importações

O CEO da empresa no Brasil, Romeu Stanguerlin (ao centro), participou da solenidade de inauguração da unidade em Taquari
O CEO da empresa no Brasil, Romeu Stanguerlin (ao centro), participou da solenidade de inauguração da unidade em Taquari Foto : Igor Azevedo/O Poder da Foto

Inaugurada na última quarta-feira (7), a nova unidade da Adama no município de Taquari é primeira indústria no Brasil a produzir o ingrediente ativo protioconazol, usado na formulação de fungicidas para lavouras de soja e algodão. Com a planta, que recebeu investimentos de R$ 300 milhões, a empresa pertencente ao grupo Syngenta espera lançar cinco novos fungicidas nos próximos três anos e ampliar dos atuais 6% para mais 10% sua participação no mercado de defensivos agrícolas – a fabricante atua também com herbicidas e inseticidas e, em 2021, entrou no segmento de biossoluções.

Segundo o CEO da empresa no Brasil, Romeu Stanguerlin, até então o protioconazol era importado de Israel, onde fica a matriz da empresa – o nome Adama vem do hebraico e significa “terra” ou “solo”. A nova unidade em Taquari é focada na síntese do ingrediente, que depois é enviado para a formulação de fungicidas na planta localizada em Londrina, no Paraná. “Hoje, ele já é vendido por uma série de empresas no Brasil, mas todas importam. Queremos estar entre os principais produtores no mundo, é um ativo muito importante em termos globais”, disse o executivo. A planta recém-inaugurada tem capacidade para processar mil toneladas de ingredientes por ano, mas produzirá de acordo com a demanda do mercado, de acordo com a Adama. 

Com a fabricação local – e a menor dependência de importações –, Stanguerlin afirma que a empresa espera obter uma “vantagem competitiva”, o que poderá significar uma redução nos custos dos insumos na ponta final do consumo. “Vamos ter demanda para todos os produtos novos à base de fungicida vão vir de Taquari, o que faz com que você tenha uma cadeia de suprimentos muito mais estruturada para o produtor”, disse. O protioconazol, segundo o executivo, é o principal ingrediente usado no combate a doenças da soja, como a ferrugem e a mancha-alvo. “Grande parte (dos ativos) são comprados fora e as empresas fazem formulação ou fazem a distribuição no Brasil”, observou.

Com 700 colaboradores diretos no país, a Adama deverá produzir 200 milhões de litros de produtos por ano nos complexos industriais gaúcho e paranaense após a inauguração da nova planta. O Brasil é o principal mercado da indústria no mundo, e a empresa projeta dobrar sua receita no país nos próximos cinco anos. “O plano é investir no crescimento dos hubs de Taquari e Londrina. Estamos analisando outras sínteses de ativos para o Brasil”, destacou Stanguerlin. Ele estima que o mercado de segmento de defensivos agrícolas encerre este ano com uma receita de R$ 20 bilhões, um crescimento de 30% na comparação com o total movimentado em 2021. “(Desse valor), 80% disso se concentra nas grandes culturas, que são soja e algodão”, explicou.