A expectativa é que o grupo chegue a Porto Alegre às 7h desta quarta-feira, quando se unem a outros 3 mil camponeses oriundos de várias regiões do Estado, nas proximidades do monumento ao Laçador. A mobilização, liderada pela Via Campesina, conta com o apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Movimento das Mulheres Campesinas (MMC).
Segundo o coordenador estadual do MPA, Romário Rossetto, 70% dos 450 mil pequenos produtores gaúchos estão endividados. “As dívidas totalizam R$ 5 bilhões. No Brasil, o montante chega a R$ 30 bilhões”, revelou. A iniciativa faz parte de uma mobilização nacional que prossegue até sexta-feira no Rio Grande do Sul e em outros dez estados. De acordo com Rossetto, além da mobilização em Porto Alegre, outros cinco atos simultâneos estão previstos para ocorrer em pontos estratégicos do Estado.
“Estamos em busca de soluções para um problema que está bloqueando o desenvolvimento econômico e social da agricultura familiar camponesa no país”, enfatizou Plínio Simas, da coordenação nacional do MPA. Segundo ele, os pequenos agricultores estão impedidos de ter acesso a novos financiamentos por inadimplência ou falta de capacidade de pagamento, levando a um novo ciclo de empobrecimento. “As dívidas estão provocando o êxodo rural juvenil e, concomitantemente, uma nova fase de concentração de terra e renda”, constatou Simas.
As entidades representativas dos agricultores familiares e assentados do Rio Grande do Sul reivindicam a repactuação do saldo devedor e alongamento do prazo de pagamento para até 15 anos, com carência de dois anos. “Também queremos bônus de adimplência de 30% em todas as parcelas repactuadas e juro zero”, ressaltou Isaías Vedovatto, da coordenação estadual do MST.
A pauta de reivindicações também inclui a remissão de valores de até R$ 12 mil por família endividada, incluindo o crédito emergencial, a individualização das dívidas contraídas em grupo ou com aval solidário e acesso a novos financiamentos. “Somente desta forma os pequenos agricultores e assentados conseguirão quitar suas dívidas e manter a continuidade da produção, gerando emprego e colaborando para o desenvolvimento das cidades do Interior”, explicou Vedovatto.
